3/10/2007

Tecnologia e palavras: Byte



Na maioria dos sistemas computacionais, um byte é uma unidade de dados composta por oito dígitos binários. Um byte é uma unidade que a maioria dos computadores usa para representar um caractere como uma letra, um número ou um símbolo tipográfico (por exemplo: “g”, “5” ou “?”). Um byte também pode conter uma string de bits que precisam ser usados em alguma unidade maior para propósitos de aplicação (por exemplo, uma certa quantidade de bits que compõe uma imagem para um programa que exibe imagens ou uma string de bits que compõe o código executável de um programa de computador).
Leia o artigo original em inglês aqui!

3/04/2007

Comunicação vira fumaça na sociedade da desinformação


Clareza e objetividade. É isso! Embora sejam os elementos mais importantes na comunicação, são os que menos encontramos nos sites de tantas empresas de desenvolvimento de software. O que se percebe é um labirinto de idéias confusas e uma ladainha revestida pelo jargão marketeiro americano que vive se repetindo nos discursos do setor de TI. Será que a comunicação virou fumaça na sociedade da desinformação!

Parece que ninguém se preocupa mais em dizer coisas que valham a pena escutar, usar a linguagem certa, conhecer o ouvinte, selecionar o conteúdo adequado e informar, promover, encorajar, persuadir, desafiar as pessoas a ouvir, entender e aprender a utilizar corretamente os produtos e serviços que compram.

É um tal de ecosistema prá lá, solução prá cá, TCO, budget, business plan e outras palavras surradas e manjadas atiradas no vácuo. Ah! A gente pode fazer mais do que isso! Xô mesmice, falta de assunto. Chega de ruído e pouca comunicação.

Pô cara! Quando é que esse blá, blá, blá vai ter fim??!!

2/25/2007

E-waste: uma praga silenciosa e perigosa!


A economia emergente da Índia está produzindo montanhas de lixo tóxico eletrônico como computadores e televisores obsoletos, mas ainda não há leis que regulamentem seu descarte, informou um grupo ambiental local na sexta-feira.

A organização ambiental Toxics Link informou que ao mesmo tempo em que a economia do gigante asiático está crescendo 8 % ao ano a mais do que os últimos três anos, ela também gera 150 mil toneladas de lixo eletrônico por ano. Leia a matéria na íntegra.

2/21/2007

Por quê software não tem manual de instruções?!!



Remédio tem bula. Café, açúcar e tantos outros produtos alimentícios fornecem ao consumidor informações nutricionais e receitas que ensinam a usar o produto. Os fabricantes de escovas de dentes, shampoos, camisinha, fio dental, máquinas de calcular, batedeiras, liquidificadores, automóveis, oferecem algum tipo de orientação ao consumidor sobre a utilização de seus produtos. Por quê, então, inúmeras empresas que desevolvem software não fornecem qualquer informação sobre seu funcionamento e utilização aos usuários?!

12/09/2006

Quadrinhos: sedução, inteligência e cumplicidade como instrumentos de transformação da realidade

Umberto Eco é um mestre. Suas idéias sobre o papel da imagem na comunicação possuem grande importância. Ele nos mostra que a imagem requer leitura atenta e crítica, pois ela pode conter mensagens subliminares, conotações negativas, ironias e contradições, que mesmo sendo imperceptíveis à primeira vista, sempre produzem efeitos. Dentro dessa perspectiva, os quadrinhos jamais deveriam ser encarados como “coisa de criança”.

Partindo desse ponto de vista, o autor de quadrinhos busca o interesse, o entusiasmo e até mesmo a cumplicidade do leitor para transmitir sua mensagem. Para atingir o seu objetivo, ele lança mão de vários recursos de expressão. Porém, a imagem é sua arma principal. É com ela que ele seduz o leitor.

Como um lavrador que semeia pacientemente e espera a hora certa da colheita, o autor prepara a mensagem que o público deverá decodificar, servindo-se dos signos e de suas relações com um código invisível, confiando que os leitores os conheçam e entendam. Esse código, que é universal, não encontra barreiras e é capaz de ser entendido em qualquer parte. Podemos dizer, sem receio algum, que ele é fruto da experiência humana sobre a terra ao longo dos séculos. Portanto, ele faz parte da “alma do mundo”.

Como Umberto Eco nos mostra em “Leitura de Steve Canyon”, esse código baseia-se na representação de valores e conceitos por meio dos signos. Essa representatividade é dinâmica e provoca reações nas pessoas, interferindo, sem dúvida, nos diversos planos das relações humanas: plano filosófico e conceitual, plano político e econômico, plano sentimental e amoroso, por exemplo.

Juntamente com a utilização dos signos, a perspicácia do autor de quadrinhos na exposição gradual de atributos físicos, emocionais, sociais e psicológicos das personagens, dá pistas ao leitor para que este as crie em sua mente. Como se pode notar, o leitor também deve usar seu talento e inteligência para interagir com o autor, construindo as “almas” das personagens com seu próprio esforço, tornando-se seu cúmplice na trama.

Trabalhando com esse código, o autor, mestre da comunicação, usa a indução, a dedução e abdução como instrumentos para construir o universo da história em quadrinhos. Como matéria-prima, ele emprega tipos de padrões, ícones, idéias, preconceitos, rótulos, estereótipos, por exemplo, que fazem parte desse código universal. Dessa forma, ele estabelece um diálogo rico de significados, que desafia o leitor a mergulhar nesse universo para examinar e confrontar os conceitos, valores e atitudes das personagens no contexto em que foram criadas. Ao levar a efeito esse confronto, o leitor é capaz de transpor a realidade representada pela história para o mundo real onde ele vive. Assim, ele tem a oportunidade de tirar suas conclusões e formar a sua opinião. E quem é capaz de produzir suas próprias opiniões, tem o poder de transformar sua realidade.


Ribeirão Preto, 02/12/2006

10/14/2006

A localização de websites

O aumento das vendas de microcomputadores e o crescimento diário do acesso à Internet estão transformando a grande rede no primeiro lugar onde as pessoas vão procurar informações, produtos e serviços. Também não é segredo que o idioma predominante na Internet é o Inglês. Contudo, no final de 2002, foi estimado que 32% dos internautas não usavam o Inglês como primeira língua. Desde então esse número vem aumentando e não há dúvidas de que a diversidade lingüística está se expandindo no ciberespaço. Conseqüentemente, as grandes empresas perceberam como é importante preparar-se para interagir com um mercado segmentado, multicultural e multilíngüe.

Dessa forma, o conceito de localização de produtos começou a ser aplicado, mesmo que timidamente, aos projetos de websites. Entretanto, localizar um site, usá-lo como um canal de comunicação e atender aos requisitos culturais do seu público alvo, não é uma tarefa simples. Isso exige o uso de alguns recursos essenciais: tecnologia da informação, gestão de projetos, conhecimentos lingüísticos e culturais. Se algum desses ingredientes for negligenciado, o fracasso será inevitável.

De fato, as questões culturais e lingüísticas são as mais delicadas e, ao mesmo tempo, as mais esquecidas. A cultura e o idioma influenciam tudo o que fazemos, dizemos, lemos, escutamos e pensamos. Nem mesmo a Internet consegue escapar de sua influência. Sob esse aspecto, um site, ao interagir com um grupo social, exerce o papel de um agente de mudanças que desperta emoções, fomenta interesses, propõe novas idéias e subverte costumes. Não é fácil lidar com isso sem conhecimento e inteligência. Por isso, a localização de websites apresenta-se como um instrumento poderoso, mas que exige projetos inteligentes, técnicos competentes e, acima de tudo, profissionais com sensibilidade para lidar com a diversidade cultural que explode na Internet.

A tradução é um dos diversos fatores críticos na localização de websites. Na verdade, o conteúdo encerra muitas armadilhas. Os textos estão cheios de expressões idiomáticas, provérbios e metáforas que não podem ser traduzidos literalmente sem distorcer seu sentido original. E os tradutores automáticos? Isso mesmo! Aqueles que a Internet oferece gratuitamente. Ah! Esses são piores do que a encomenda. Uma língua é muito mais do que uma coleção de palavras.

E as imagens? Elas podem conter mensagens subliminares, conotações negativas, ironias e contradições que são imperceptíveis à primeira vista. Por exemplo, no Brasil, um site com imagens de mulheres de biquínis curtíssimos e bebendo cerveja é considerado normal, porém, como ele seria recebido em um país Islâmico? Uma imagem diz mais do que mil palavras. Portanto, todo cuidado é pouco.

Essas considerações representam apenas a ponta do iceberg. Existem outros fatores que precisam ser bem examinados, como por exemplo, os símbolos e as cores. Diante do que foi exposto, é possível perceber que a capacidade tecnológica, por si só, não é suficiente para garantir o sucesso de um projeto web. A sensibilidade cultural e a competência lingüística deveriam receber mais atenção.

Orlando Ribeiro

4/21/2006

Você sabe o que é Localização de Software?

A LISA é uma organização internacional que se dedica à localização e padronização Industrial. Ela ainda não é muita conhecida no Brasil, mas o seu trabalho nos interessa bastante. Mas afinal de contas, o que é essa tal de localização? Pois bem, a localização é o processo que modifica e adapta produtos para ajustá-los às diferenças culturais, sociais e econômicas dos mercados onde as indústrias desejam introduzi-los. Segundo esse conceito, um software de gestão produzido no Brasil precisaria sofrer mudanças de idioma, projeto e processos, por exemplo, se o seu produtor quisesse comercializá-lo em outros países da América Latina.

A localização de produtos é uma área recente, pois a internacionalização das relações culturais, econômicas e políticas explodiu somente na década de 80 com a expansão da indústria das telecomunicações e da tecnologia da informação. Nessa época, satélites e computadores subverteram conceitos e arrancaram o mundo de sua órbita. Em meados dos anos 90, a internet acelerou esse processo e deu origem a um fenômeno social e cultural de grande impacto: a globalização. Não havia mais fronteiras, mercados ou regimes políticos isolados. Os consumidores podiam ser atingidos em qualquer local do globo em poucas horas. Contudo, surgiram algumas complicações: Como produzir, vender e entregar produtos que satisfizessem as necessidades e respeitassem as diferenças culturais, lingüísticas e étnicas de consumidores das mais variadas origens?

Certamente, a adaptação cultural e funcional de produtos é um fator de sucesso para as empresas que desejam competir no mercado mundial. Contudo, embora a localização possa ser aplicada em uma ampla variedade de indústrias, atualmente, ela está mais freqüentemente associada à produção de software e hardware. Portanto, não é difícil reconhecer a contribuição da localização para a expansão do mercado internacional da tecnologia da informação. Empresas como a Microsoft e IBM não teriam alcance mundial se não tivessem construído uma estrutura para localizar seus produtos para diferentes culturas. É certo que esse processo não é simples já que ele exige a muito estudo e trabalho de tradução da interface do usuário e manuais do produto para outra língua, ajustes de suas características técnicas, funcionais e culturais, adequação à legislação local e a execução dos testes que garantam o funcionamento do produto.

O Brasil possui vocação para produção de software e apresenta ótimas perspectivas de crescimento. Existem algumas empresas brasileiras que exportam software, a Softex e o MCT. Contudo, ainda estamos engatinhando e há grande necessidade de investimentos que viabilizem novos empreendimentos. A processo de localização é uma das atividades que podem estimular a exportação de software e, portanto, merece atenção de empresas, universidades e dos órgãos governamentais competentes. Se o Brasil quiser competir nesse mercado, precisará investir em localização de software.

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 13 de abril de 2006

3/14/2006

O construtor de pontes

Podemos comparar a arte de traduzir com a arte de caminhar sobre o fio de uma espada. Qualquer deslize pode ser fatal porque as palavras e os pensamentos são ingredientes preciosos, mas perigosos, que fazem parte de uma receita incapaz de agradar a todos os paladares: a comunicação.

A palavra tradução, que vem do termo latino traducere, significa verter, trasladar de uma língua para outra. Curiosamente, a palavra traição que vem do latim traditione e significa o ato ou efeito de trair, possui o mesmo radical (trad) e esse fato lança no ar uma questão perturbadora: “traduzir é trair?”.

Então, o que é preciso para ser um bom tradutor? Bem, creio que não existe uma receita infalível porque a tradução está longe de ser uma ciência exata. Talvez o primeiro passo seja aceitar que ninguém é perfeito e lembrar sempre que o único tradutor que não erra é aquele que não exerce seu ofício.

A propósito, lembro-me de um velho amigo que conheci nos tempos da faculdade. O pessoal o chamava de “Mané” por causa do sotaque aportuguesado que ele tinha. Filho de um português e de uma canadense, o “Mané” nasceu em Angola e se mudou para o Brasil aos 15 anos. Ele fala Inglês, português, francês, um dileto africano e aprendeu tupi-guarani durante o tempo que morou no Xingu. Quando eu o conheci ele estava com 35 anos e trabalhava com traduções há uns 10 anos. Ele viajou por toda a Europa, estudou no Canadá e vagabundeou pelos Estados Unidos viajando de carona. Um dia ele “desbundou” e voltou para o Brasil porque descobriu que gostava mesmo era de sol, praia, mulatas e cerveja bem gelada. Quando eu lhe contei que eu estou me preparando para ser tradutor, ele não falou nada. Alguns dias depois recebi o seguinte e-mail:

“Caro Lan, não é fácil ser um tradutor. Esteja preparado para estudar o resto de sua vida, mas não se torne um CDF reacionário. Busque o novo, use computador, Internet. Não tenha medo da tecnologia, mas também não lhe dê mais importância do que ela merece. Aprenda a gostar do teu trabalho e você se tornará um bom profissional, mas não se deixe seduzir pela perfeição. O cara perfeito é antes de tudo um chato. Tenha em mente que o tradutor é um operário das letras que vive entre dúvidas, urgências e incompreensões, porém ele nunca deve se esquecer que a razão de seu trabalho são as pessoas. Portanto, não deixe que seus conhecimentos e o sucesso o transformem numa pessoa arrogante. Ninguém sabe tudo e quando você tiver alguma dúvida, procure ajuda, não seja orgulhoso. Você se lembra de Sócrates? Tudo que sei é que nada sei.

Também sugiro que você aprenda a se colocar no lugar dos outros e a aceitar que as pessoas são diferentes. Isso te ajudará a descobrir que o tradutor tem que mergulhar nos textos que traduz da mesma forma que um ator encarna seus personagens. E acima de tudo, nunca se canse de buscar as palavras que se amam para se tornar um construtor de pontes e aproximar as pessoas umas das outras. Um grande abraço, John.”


Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto/SP
Orlando Ribeiro

2/18/2006

A tecnologia e suas contradições

No famoso romance de Robert L. Stevenson, “O médico e o monstro”, o bom doutor Jekil transformava-se no cruel senhor Hyde; da mesma forma, a Internet também traz em si a semente do bem e do mal. Como um espião, ela atravessa clandestinamente os continentes, invade corações e mentes, derruba todas as fronteiras ideológicas, geográficas e culturais. Sem dúvida, vivemos em uma “aldeia global”. O Haiti é aqui. O “tsunami” amedrontou todos nós. Os temores provocados pelas bombas de Londres também atingiram o solo tupiniquim. “A grande rede” estende suas garras numa fração de segundos; transgride nossa privacidade e causa profundas mudanças no comportamento humano. O conflito é inevitável.

O muro de Berlim foi derrubado no final da década de 80, mas, infelizmente, o modelo de desenvolvimento tecnológico que praticamos está construindo silenciosamente uma nova muralha muito mais difícil de destruir. É visível a divisão do planeta em dois blocos que se afastam cada vez mais um do outro: Ricos e pobres ou incluídos e excluídos. As nações mais poderosas – e ricas – são aquelas que produzem tecnologia e conhecimento e estão “incluídas” na espaçonave que partirá para um futuro de sucesso. Enquanto isso, nos países mais pobres, as pessoas passam fome, morrem doentes, mal sabem ler e escrever. De que forma então podem produzir tecnologia e ciência? Vivem no limbo do progresso, “excluídos” deste admirável mundo novo e das oportunidades de um futuro melhor

Outro fato preocupante: embora estamos inseridos na sociedade da informação, a ignorância e a violência parecem não ter fim. Somos bombardeados diariamente por uma enxurrada de dados: e-mails, marketing virtual, “websites” e “newsletters”. É muito lixo virtual, cultural inútil, sofismas e ideologias de toda sorte que tentam confundir nosso pensamento para manipular nossa opinião. Quem não pensa não é dono de seu destino. E a Internet que surgiu para ser um elemento multiplicador do saber, acaba sendo usada como um instrumento de alcoviteiros e pescadores de águas turvas. O exercício da razão deveria ser moda permanente.

A Internet também é uma evidência de que não é mais possível controlar tudo. Sinal dos tempos? O mundo está girando tão rápido que quando criamos um sistema para controlar “algo”, este “algo” já mudou ou não existe mais. Onde nos levará essa anarquia virtual? Isso tudo é muito novo e inquietante para nós e creio que levaremos algum tempo para aprender a lidar com esses fenômenos. Talvez por isso vivamos tão ansiosos e estressados. Chegamos até a perder o ingênuo hábito de cantar e assobiar descontraidamente. Terá o “homo tecnologicus” empenhado sua humanidade em troca da volúpia do poder? Talvez devêssemos dar menos importância aos ídolos tecnológicos que criamos e lembrar que somos pessoas. De que vale esse modelo de progresso tecnológico se não somos felizes? Contradições da modernidade!

Onde foi publicado

11/27/2005

O Turismo Rural na Região de Ribeirão Preto

O Turismo Rural é um segmento de negócios novo na região de Ribeirão Preto e no Brasil. O seu surgimento e expansão estão associados aos seguintes fatores: a necessidade que o produtor rural tem de diversificar sua fonte de renda e a vontade da população urbana de escapar do stress, reencontrar suas raízes, conviver com a natureza, com as tradições, costumes e com os valores das populações do interior.

A visitação de propriedades rurais é uma prática antiga e comum no Brasil. Entretanto, a exploração econômica desta atividade, caracterizada como Turismo Rural, tem pouco mais de vinte anos. As primeiras iniciativas ligadas ao turismo em ambiente rural em nosso país foram registradas na década de 80, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, alguns proprietários rurais que se sentiam pressionados pelas dificuldades do setor agropecuário, resolveram diversificar suas atividades e descobriram o grande potencial econômico do turismo no ambiente rural.

Na região de Ribeirão Preto, o Turismo Rural começou a ser desenvolvido há cerca de 12 anos atrás. Porém, ainda não apresenta resultados expressivos, porque enfrenta muitas dificuldades como a falta de conhecimento do potencial turístico regional, falta de interesse, organização e escassez de investimentos. Muitos municípios da região ainda não têm projetos turísticos, seja por carência de recursos ou por não reconhecer o potencial de desenvolvimento que esta atividade pode proporcionar. Esqueceram o turismo e apostaram tudo no agronegócio; talvez sem perceber que ambos estão ligados por um cordão umbilical comum: a terra.

Não é difícil constatar a falta de empregos e os seus efeitos danosos na sociedade. Segundo os economistas, a indústria deixou de ser um segmento gerador de postos de trabalho e o comércio não pode crescer enquanto o poder de compra da população estiver em baixa. Muitos defendem que a solução para essa crise é o incentivo ao empreendedorismo. Novos empreendimentos significam novos empregos e mais renda. Nesse aspecto, o Turismo Rural surge como uma alternativa econômica viável, pois ao atrair visitantes que consomem produtos e serviços, ele movimenta a economia, cria novas empresas, principalmente micro e pequenos negócios, gerando novas oportunidades de trabalho. Um exame mais detalhado poderá apontar outros benefícios do Turismo Rural, como por exemplo: conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

A região de Ribeirão Preto tem uma vocação natural para as atividades rurais. Também possui uma riqueza histórica única e uma cultura singular forjada pela integração de vários povos. Será um sonho impossível implementar um conjunto atividades turísticas em nosso meio rural? Não será este um novo caminho para estimular a biodiversidade econômica? Talvez esta seja uma ótima oportunidade para incentivar uma indústria limpa, resgatar e promover a herança cultural e o patrimônio natural da comunidade interiorana.

Por Orlando Ribeiro

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 22/11/2005

11/13/2005

200 anos de devastação

Não sou biólogo, ambientalista, ou cientista. Também não pertenço ao clube daqueles que são contra o progresso e hostilizam os empreendedores. Sou um cidadão e não aprovo radicalismos. Entretanto, ao fazer uma pesquisa sobre a História da região de Ribeirão Preto, percebi a existência de um processo de devastação ambiental que já dura cerca de duzentos anos.
Esse processo começou com as primeiras incursões dos bandeirantes que cruzavam o sertão em busca de ouro e também capturavam índios para vender como escravos. Essas incursões abriram os caminhos para o coração do Brasil e desencadearam o surgimento das primeiras células de ocupação do interior paulista. A natureza perdeu sua virgindade; a mata Atlântica sentiu os primeiros golpes de machado e o cerrado conheceu o fogo dos invasores.
Na segunda metade do século 19, a cultura do café entrou em declínio no Vale do Paraíba e foi nessa época que se descobriu o grande potencial cafeeiro das terras da região de Ribeirão Preto. O café chegou, ganhou força e reinou absoluto durante décadas. A multiplicação dos cafeeiros inaugurou uma nova etapa da devastação ambiental.
Depois de se arrastar por sucessivas crises, a monocultura do café sofreu um duro golpe com a crise de 1929. Os cafeicultores, em sua maioria falidos, passaram a buscar novas culturas para introduzir em suas terras. O algodão e a cana-de-açúcar entraram em cena e, após o fim da segunda grande guerra, com crescimento do consumo de açúcar e álcool, o plantio da cana fortaleceu-se até tomar o lugar do café. No final dos anos 70, com o lançamento do Pro-álcool, a cana conquistou a hegemonia econômica na região. Porém, junto com o progresso, vieram danos ambientais em escala muito maior do que aqueles provocados pelo café.
Paralelamente, o processo de urbanização acelerou-se em virtude do aumento da população e da instalação de novas indústrias. As cidades cresceram desordenadamente causando problemas de ocupação e utilização do solo, falta de saneamento e mais desequilíbrio ambiental.
A situação do aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, é uma conseqüência desse processo de degradação ambiental na região de Ribeirão Preto. Suas águas são utilizadas no abastecimento de água de inúmeras cidades, na indústria e na irrigação. Porém, o desmatamento desenfreado comprometeu seriamente a cobertura vegetal que protegia os seus pontos de afloramento e recarga. A contaminação do solo causada pelo uso de agrotóxicos é outra grave ameaça à qualidade das águas do aqüífero.
A questão ambiental é bastante grave. Já sentimos os efeitos negativos da devastação do meio ambiente pois a natureza está reagindo às agressões que vem recebendo durante décadas. Ou aprendemos a equilibrar progresso econômico, respeito ao próximo e conservação ambiental, ou as próximas gerações pagarão um preço terrível pela nossa incompetência.

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 08/11/2005

10/30/2005

O que preocupa os empresários?

Que me perdoem os profissionais de tecnologia da informação, mas os empresários não estão preocupados com sistemas, computadores ou Internet. O que os preocupa e lhes tira a tranqüilidade e o sono é a sobrevivência de seus negócios. E para sobreviver, eles precisam principalmente controlar custos e aumentar receitas. Porém, um certo número de empresários vive um drama: esses dois processos exigem informações que eles não têm, ou então, não sabem como conseguir.
Esse quadro se agrava quando eles descobrem que, embora os arquivos de seus computadores estejam abarrotados de dados, o sistema de gestão, que lhes custou sangue, suor e lágrimas, não é capaz de fornecer as informações que eles precisam. Sentindo-se engessados e frustrados, percebem que investiram em sistemas que acumulam dados mas não têm poder para produzir informações que forneçam suporte às suas decisões.
Nas questões relativas aos custos, por exemplo, muitas empresas não sabem quanto custa produzir um determinado produto e se o volume de suas vendas justifica a continuidade de sua produção. Ou então elas não têm conhecimento do seu custo operacional e o impacto que ele causa nas finanças.
A área de vendas é outra preocupação pois também há algumas perguntas sem respostas. Por exemplo: como analisar as tendências de vendas de cada produto ao longo dos últimos 12 meses? Ou então, qual é a margem de contribuição de cada produto no para o resultado da empresa?
O que é possível fazer quando não consegue respostas para essas perguntas? A tecnologia da informação pode ajudar os empresários a encontrar algumas saídas para seus dilemas, desde que ela seja usada com inteligência. A tecnologia não faz milagres. Enquanto as perguntas não forem formuladas de maneira adequada, as respostas não serão satisfatórias. Para que isso aconteça, é necessário estudar e analisar o ambiente de negócios de cada empresa como se fosse único. Isso exige inteligência, investimentos e profissionais capazes de: identificar as questões mais relevantes, que informações são necessárias para respondê-las e onde e como buscar essas informações.
Conhecendo essas informações, os empresários poderão interpretá-las e compreender a dinâmica das operações e processos, entendendo assim o que acontece com o seu negócio. Então, eles terão a capacidade para criar visões que os ajudarão a tomar as decisões que, segundo sua opinião, posicionarão adequadamente a empresa no mercado para enfrentar as dificuldades.
Entretanto, devemos nos conscientizar de que a tecnologia é apenas um instrumento cuja função é fornecer informações; nada mais. As responsabilidades de interpretar, produzir conhecimento e tomar decisões pertencem ao homem, pois apenas ele possui inteligência para agir assim. Sistemas e computadores não pensam, não possuem bom senso ou sensibilidade para fazer avaliações, sejam objetivas ou subjetivas. Isso será sempre uma prerrogativa humana. Graças a Deus!

9/16/2005

A inteligência e o mundo dos negócios

A inteligência é o mais importante dos atributos do homem. Ela nos diferencia dos outros animais e nos permite aprender, pensar e escolher. A palavra inteligência vem do latim intellegere (inter-, "entre", e legere, "escolher" ou "ler"). Também é interessante observar a estreita relação que existe entre inteligência e lógica (do latim logicus, que assim como o termo latino legere, vem do termo grego logos, que significa "palavra", ou ainda "pensamento"). É a inteligência que ajuda o homem a ler as entrelinhas da vida, entender a si mesmo e o mundo ao seu redor. Graças a ela, nós somos capazes de identificar oportunidades, tomar decisões e agir. E ação é vida, movimento e semente da vitória. Concluindo: Inteligência é poder.

Não é à toa que a inteligência sempre teve um papel estratégico na guerra. Afinal, conhecer antecipadamente os planos, as forças e fraquezas do inimigo, pode assegurar a vitória. Nesse aspecto, Sun Tzu, o general-filósofo chinês que viveu há 2500 anos, foi um grande mestre. Em seu livro A arte da guerra, ele ensina que a informação e a inteligência são fundamentais para se obter o sucesso na guerra: “Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas.” Sun Tzu é apontado por muitos como o maior gênio da inteligência e da estratégia militar.

Com o tempo, observou-se que a inteligência e a estratégia também poderiam ser muito úteis no mundo dos negócios. Porém, foi nos anos 90 que surgiu o conceito de Business Intelligence - inteligência empresarial. Naquela época, o mundo testemunhou o fim da guerra fria entre a União Soviética e os Estados Unidos, as inovações tecnológicas, o grande salto das telecomunicações e a expansão do comércio internacional. A concorrência comercial alcançou todos os continentes e o domínio da informação tornou-se essencial para dar sustentação aos negócios. Neste contexto, a inteligência empresarial surgiu como um conjunto de instrumentos de gestão que engloba recursos de tecnologia da informação, metodologias para coleta e análise de dados e indicadores de desempenho para medir resultados. Sun Tzu foi redescoberto e seu livro tornou-se um sucesso de vendas.

Contudo, existem duas dificuldades preocupantes: o crescente volume de informações e a velocidade com que elas perdem seu valor. Ora, é humanamente impossível coletar todos esses dados, processá-los, analisá-los e tomar decisões sem o uso da tecnologia da informação. Por isso, todas as empresas modernas têm sistemas de informação, bancos de dados e computadores. Porém, como usar esses recursos para ler as entrelinhas do mercado, estabelecer visões de negócios, identificar oportunidades, antever ameaças e agir na hora certa? É aí que entra a inteligência!

Onde foi publicado
  • A estudante Shirlei Grasielli Machado, da Universidade do Vale do Itajaí, na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, está usando este atigo no seu TCC (Trabalho de conclusão de curso) no curso de Bacharel em Ciências da Computação.

8/29/2005

O encontro

Tarde nublada. O frio insinuante, a fumaça negra dos carros, a multidão apressada; cenário agitado que confunde os sentidos e às vezes rouba o pouco de paciência que o Zeferino ainda conseguia manter. De repente, alguém o segura pelo braço: “Moço! Dá um dinheiro pro café?”. O “não” já estava na ponta da língua, mas ao olhar para o sujeito, Zeferino perde a fala. Ele conhecia aquela cicatriz na testa. Aquele mendigo só podia ser o Jota. Quem diria?
- É você Jota?
O homem assustou-se. Tentou fugir, mas Zeferino o segurou.
- Essa cicatriz? Jota, só pode ser você! O que houve contigo?
- Coisas a vida! Pode me dar algum dinheiro?
Zeferino entrou em transe. O passado invadiu o presente revivendo fatos já soterrados pelo tempo. Ele voltou no tempo.
O clima estava tenso. O Jota entrou no CPD e gritou para o Zeferino: “Você está demitido.” Todos ficaram surpresos, pois, afinal, o pobre rapaz não tinha culpa de nada. O verdadeiro culpado era o Renan, sobrinho da Arlete, diretora e mulher do Otávio, o dono da empresa. Ele tinha danificado o sistema de banco de dados causando um grande prejuízo. O Zeferino foi o bode expiatório. Ele tentou dizer algumas palavras em sua defesa, mas o Jota não deu chance.
Quando entrou na empresa, o Jota era outro. Profissional dedicado, marido fiel, companheiro. Porém, a Arlete percebeu sua ambição. Insinuou-se. Seduziu-o por prazer e conveniência. Jota cedeu. Tornou-se amante da Arlete. Ele foi prático, queria garantir o seu futuro. Em pouco tempo, o Jota tornou-se o diretor da empresa. A Arlete deu-lhe poder, mordomias, prestígio, alimentou seu ego e sua vaidade. “Eu faço minhas escolhas e traço meu destino”. Mal sabia ele que o destino é volúvel como o vento; muda de direção conforme seus caprichos. O poder não corrompe as pessoas. Na verdade, ele revela o que elas têm em seus corações. Com Jota não foi diferente.
O tempo correu. E um dia, inesperadamente, um escândalo: a empresa vai à falência. Arlete e Otávio fogem. Houve fraude, a polícia recolhe documentos, lacra a prédio. O Jota, coitado, acusado de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, vai preso. Dominado pela vaidade, deixou-se enganar pela Arlete, foi envolvido em uma trama ordinária. O sonho transformou-se em pesadelo.
E Ali estava ele, mendigando na rua, magro, maltrapilho, faminto; tão diferente do executivo inflexível, às vezes cruel, que tinha demitido o Zeferino tão injustamente. O mundo dá muitas voltas.
O farol abriu e as pessoas queriam passar. Zeferino puxou-o para o canto.
- Quando você saiu da prisão?
- Há três anos!
- Esse tempo todo você ficou por aí? E a sua família?
- Não quero falar sobre isso. Você pode me dar uns trocados?
Bem que o Zeferino insistiu, mas ele não falou nada. Por fim, Zeferino pegou a carteira e tirou uma nota de cem reais. Olhos arregalados, Jota pegou o dinheiro com as mãos trêmulas. Em seguida, olhou para o Zeferino, tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Então, ele virou-se e foi andando. Sabe-se lá o que se passava em sua mente. Então, depois de dar alguns passos, ele parou de repente, virou-se para o Zeferino, ergueu a mão e acenou agradecendo. Talvez estivesse se despedindo. Depois ele sumiu entre os carros. Zeferino nunca mais teve notícias do Jota.

Onde foi publicado
Jornal A Cidade de Ribeirão Preto: Agosto/2005

8/11/2005

A segunda chance

Lia era uma mulher notável: loura, alta, bonita e inteligente. Não era rica, mas também nunca teve problemas com dinheiro. O pai, ao falecer, deixou-lhe uma boa herança e, além disso, ela tinha um ótimo salário pois era uma analista de sistemas muito competente e experiente que havia trabalhado em grandes empresas, inclusive fora do Brasil. Porém, Lia tinha um grave problema: ela era viciada em trabalho.
Desde o início de sua vida profissional, Lia sabia que, sendo mulher e trabalhando em uma área dominada pelos homens, teria que mostrar muita competência para ganhar respeito e credibilidade. Assim, lutava muito, buscava a superação da discriminação e a sua auto-afirmação no mundo machista da informática. Viajava muito, passava muitos dias longe de casa, convivia com estranhos, dormia mal. Era assediada mas sempre soube como colocar os abusados em seu devido lugar. Quando estava em casa, o celular não parava de tocar. Quantas vezes, o “stress” e o mau humor destruíram relacionamentos profissionais e pessoais? Lia havia perdido a conta. Otávio, seu marido, fez o possível para suportar aquela vida cheia de altos e baixos emocionais, porém, um dia não agüentou mais e foi embora.
Lia entrou em depressão. A choque da separação trouxe à tona toda a fragilidade oculta daquela mulher de ferro acostumada a tomar decisões, demitir pessoas sem piedade e comandar grandes projetos. Ela entrou em queda livre. Parecia que nunca ia parar de despencar das alturas de seu delírio. Ela não percebeu que suas escolhas pouco a pouco foram destruindo suas amizades, seu casamento, a ela mesma. “A ficha caiu” e Lia estava só.
Resolveu afastar-se do trabalho. Saiu de férias. As primeiras em anos de trabalho. Viajou para o litoral. Ela queria lavar sua alma nas águas do mar. Um dia, ao caminhar pela praia, reparou nas imagens que as ondas pintavam na areia e nas rochas. Lia então lembrou-se de sua juventude, de seus sonhos, das pinturas que fazia na escola de artes. Recordou-se que abandonou os pincéis e as telas quando se formou em ciência da computação. As luzes e o “glamour” do mundo “high tech” a enfeitiçaram.
Sentiu vontade de pintar novamente. Entregou-se à sua antiga paixão pela arte e pintou, e pintou, e pintou. Quanto mais pintava mais sentia o equilíbrio e a serenidade que o belo despertava em sua alma. O exercício da arte estava banindo a ansiedade e a angústia que embriagavam seu coração.
Ao retornar à empresa, teve certeza de que aquele mundo não lhe servia mais. Ela desejava dar outro sentido à sua vida. Estava decidida a dizer adeus ao frenético mundo dos bites e bytes, às viagens intermináveis, à solidão dos hotéis, aos seminários insossos e toda aquela falsa sensação de auto-suficiência e onipotência. “Quero voltar a viver!”
Uma semana após ter voltado das férias, Lia surpreendeu a todos pedindo demissão. “Como?” “Por que abandonar uma empresa de software que todo profissional almeja trabalhar?” “É uma louca varrida!” Os comentários se multiplicavam. Lia não ligava. Pela primeira vez ela estava fazendo algo que realmente queria fazer. Pouco lhe importava o que os outros pensassem a seu respeito. Estava de malas prontas para viver na praia e dedicar-se inteiramente à pintura. Seria feliz. Reencontraria o amor. Teria amigos novamente. Afinal, Lia não podia desperdiçar a sua segunda chance. Não era mais uma menina, era mulher.

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8/05/2005

Momento de decisão

Bia estava ansiosa e confusa. Partir para um mundo desconhecido ou abandonar seus sonhos? Sua vida nunca foi fácil; nasceu pobre, morava na favela, passou fome. No entanto, a pobreza material nunca foi motivo para ela aceitar passivamente a pobreza de espírito e a ignorância. Aprendeu a ler aos cinco anos com a ajuda da mãe e do irmão que lhe emprestava gibis e ensinou-lhe a cantar cantigas infantis. Quando Bia entrou para a escola, todos se espantaram com sua inteligência. Aprendia tudo facilmente e aos 12 anos já dominava o computador.
O que mais impressionava as pessoas da comunidade era o seu gosto pelo samba. Dançava com o charme e a graça das grandes passistas; tornou-se uma celebridade na escola de samba do bairro. A afinidade de Bia com os valores e os costumes da comunidade era admirável. Por isso todos a amavam. Inteligente, linda e gentil. Sua genialidade na informática e no samba encantava os intelectuais do asfalto e o povo da favela.
Quando ela completou 15 anos, uma Ong internacional criou um núcleo de inclusão digital e profissional na comunidade e contratou a Bia para trabalhar como monitora de informática. O salário não era lá essas coisas, mas o dinheiro veio em boa hora e a felicidade de Bia não tinha preço. Agora, aos 18 anos, Bia havia se tornado referência em software livre e participava ativamente de movimentos de inclusão social e digital nas comunidades pobres da cidade. Entretanto, ela sonhava: “Um dia vou me formar. A minha vida vai melhorar!” Queria se formar em ciência da computação, ser professora e escrever livros. Porém, quando ela acordava, as dificuldades da vida e a falta de dinheiro golpeavam duramente suas esperanças. Contudo, pior do que a pobreza era a falta de perspectiva de uma vida melhor. Nessa época, ela viu muitos amigos serem seduzidos pelo crime e pelas drogas. “Coitados! Morreram tão jovens”. Ela nunca entendeu por que um país tão rico como o nosso oferece tão pouco aos jovens.
Agora ela estava ali, diante do espelho, procurando dentro de si a coragem para ir ao encontro dos seus sonhos. Ela nunca imaginou que ganharia uma bolsa de estudos da Ong para estudar na França. Bia não sabia se chorava de tristeza ou de alegria. Ela se sentia com um balão cheio de energia para voar, mas com fortes amarras presas ao chão. Ela teria que deixar a família, a comunidade e o seu mundo para enfrentar o desconhecido. Isso tudo a amedrontava. Porém, essa era a chance de sua vida. Não desistiria agora. Então, ela enxugou as lágrimas, vestiu-se, fechou a mala e pegou seus documentos. Sua mãe chorava; ela afagou-a carinhosamente e deu-lhe um beijo.
Ao sair do barraco, Bia viu os seus amigos e vizinhos sambando alegremente e cantando: “Ai, ai, ai, ai. Tá chegando a hora...”. Enquanto beijava e abraçava a todos um por um, dizia docemente: “Vou atrás de meus sonhos na França, mas voltarei para dividir com vocês tudo o que eu aprender lá fora”. Ela sabia que havia alguma razão para que aquilo tudo estivesse acontecendo com ela.
Neste momento, Dona Neuza, a diretora da Ong, desabafou: “É lamentável ver os nossos talentos irem embora do país enquanto assistimos a esses escândalos de corrupção. Imaginem o que todo esse dinheiro das malas, cuecas e mensalões poderiam fazer pela educação desse povo?”. Em seguida, Bia deu uma última olhada para a favela; levantou seus olhos para o céu, fez uma prece e partiu em busca de seus sonhos.

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  • Jornal A Cidade de Ribeirão Preto/SP em 04/08/2005

7/28/2005

Virando a mesa

Val estava tensa. Afinal, após a morte do seu marido, ela foi forçada a transformar-se em empresária do dia para a noite. Ele confiou demais no Costa, o diretor financeiro da empresa; por isso deixou que ele cuidasse das finanças da empresa. Ele também não achava importante investir em informática para controlar a gestão dos negócios da empresa.
Val nunca gostou do Costa. Para ela, um sujeito adulador e incapaz de olhar as pessoas diretamente nos olhos não poderia prestar. Poucos dias antes de morrer vitimado por um enfarte, seu marido falou-lhe que havia descoberto desfalques na empresa. A situação era grave. Ele disse-lhe que o Costa estava por trás de tudo, mas nada podia ser provado.
Apesar de furiosa e arrasada com a morte do marido, Val reuniu forças e descobriu as falcatruas e negociatas do Costa. Ele desviou muito dinheiro da empresa. O bandido contratou “hackers” para sabotar os sistemas de informática, tramou o superfaturamento de compras, corrompeu pessoas e destruiu documentos que poderiam incriminá-lo. Val passou noites em claro. Chorou muito. Voltou a fumar. Não descansaria enquanto não salvasse a empresa. O Costa ia pagar caro por tudo que fez. Faria isso pela memória do seu marido, por seus filhos.
- Val! Como vamos salvar a empresa? Perguntava Carlos, seu cunhado.
- Não se preocupe. Já estou cuidando disso. Já cancelou os contratos de informática?
- Sim!
- E o novo sistema de gestão? Precisamos de uma solução segura e confiável!
- Já estou procurando! Respondeu Carlos.
- Dona Val! O senhor Miro chegou! Avisou a secretária pelo interfone.
- Dona Arlete, diga ao senhor Costa para vir à minha sala. Ah, mande o senhor Miro entrar em dez minutos!
- Quem é esse Miro, Val? Perguntou Carlos.
- Você logo saberá!
- Com licença? Perguntou Costa abrindo a porta e esgueirando-se para dentro da sala de Val.
- Sente-se Costa!
- Tudo bem Val? Perguntou ele ironicamente.
- Costa. Aqui está sua carta de demissão e o valor que você deverá transferir para a conta da empresa. Agora!!! Disse Val secamente.
- Carta de demissão? Transferência? Você deve estar delirando!
- Não estou delirando. Isso é sério!
O Costa já estava se levantando para ir embora quando entrou um homem de seus 50 anos. Era o Miro. Eles se entreolharam e o Costa desabou na cadeira como se estivesse vendo um fantasma.
- Está nervoso Costa? Perguntou Val retribuindo a ironia.
- Bem “seu” Miro, pode mostrar os papéis para o seu velho “amigo”!
- Costa! Há quanto tempo hem?? Você ainda se lembra dos nossos antigos negócios??
- Pensei que você estivesse morto! Disse Costa com a voz trêmula.
- Como você pode ver, eu acabo de voltar do mundo dos mortos!
- Vamos lá Costa. Já viu os documentos? Assine logo a sua demissão e entre no site do banco para transferir o dinheiro que você nos roubou. Faça isso e você poderá reaver os documentos. O Miro ficará quieto!
O Costa estava pálido e desconcertado. Aqueles documentos e fotografias destruiriam completamente a sua reputação e o colocariam na prisão. Então, ele assinou a carta de demissão e fez a transferência do dinheiro. Em seguida, pegou o pacote com os documentos e saiu. Val lembrou-se de seu marido, suspirou e libertou algumas lágrimas. “Descanse em paz meu amor!”

7/15/2005

A indenização das cuecas!

Consultoria de sistemas é condenada a pagar indenização pelo fracasso do projeto de implementação de software em um grande cliente. Os prazos não foram cumpridos, o número de horas de consultoria foi fraudado e também foi comprovado o pagamento de mensalão para o porteiro. O fornecedor do sistema, cujo nome não foi revelado, foi condenado a pagar uma indezinação de 10 milhões de cuecas (Nova unidade monetária criada no Brasil). Na foto acima, vemos o momento exato do pagamento da indenização.

7/14/2005

Mudanças: ceder ou resistir?


Aceitar o que não podemos mudar não é apenas uma questão de inteligência e bom senso. É sobrevivência.


As pessoas adoram novidades. Porém, ao mesmo tempo, elas têm mêdo de tudo o que é novo. Poucos aceitam mudar alguma coisa sem espernear. Na verdade, as mudanças que acompanham as inovações nos obrigam a sair de nossa zona de conforto. Por isso, abandonar velhos hábitos e idéias enraizadas pelo tempo é doloroso para todos nós. Contudo, isso faz parte na natureza humana.
O fenômeno Internet, por exemplo, ao facilitar o acesso à informação, derrubou definitivamente as fronteiras ideológicas, geográficas e culturais no mundo. É notório: vivemos em uma “aldeia global”. O Haiti é aqui. O “tsunami” atingiu a todos nós. Desta forma, “a grande rede” estende suas teias sem-fim e abre espaço para profundas mudanças no comportamento e no pensamento humano. O conflito entre a estabilidade do mundo conhecido e a insegurança do novo é inevitável.
Nesta nova sociedade da informação em que tentamos nos adaptar, os e-mails, cartões magnéticos e “home banking”, viraram de ponta-cabeça as relações de trabalho, o comércio e a sociedade. Um de seus efeitos colaterais mais preocupante é a exclusão tecnológica. Ela submete as camadas menos favorecidas da população à dura realidade do isolamento econômico e social. Quem não tem acesso à tecnologia está sendo colocado pouco a pouco à margem do desenvolvimento. Isso atinge pessoas, países e continentes. E no mundo moderno, dominar a tecnologia significa sobreviver. Portanto, não é difícil entender que a pobreza de espírito e ausência de um projeto educacional moderno podem liqüidar os sonhos de progresso e crescimento do nosso povo.
“É melhor prevenir do que remediar” é um sábio conselho. Porém, por mais que tentemos, nunca estaremos preparados para lidar com as mudanças provocadas pelas inovações tecnológicas. Talvez seja melhor aprender a administrá-las e ser mais flexível do que se opor. Penso até que deveríamos aprender a aprender. Quando a mudança bate à nossa porta não adianta resistir. Afinal de contas, aceitar o que não podemos mudar é sinal de inteligência, bom senso e, muitas vezes, pura questão de sobrevivência.
Estamos no século da informação, mas ironicamente, existe muita carência de conhecimento por aí. Alguns gurus de plantão falam que há um novo “round” do processo de seleção natural em marcha. Eles também dizem que não será o mais forte que sobreviverá, mas sim aquele que for capaz de adaptar-se rapidamente aos novos tempos. Isso eu não tenho certeza, porém, uma coisa eu sei: quem não souber lidar com a tecnologia da informação e não aprender a produzir conhecimento terá muitas dificuldades para sobreviver em qualquer atividade econômica.


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7/13/2005

Cueca: a nova unidade monetária da TI



A AAPTi (Associação dos Aspones Profissionais da Ti decidiram em seu congresso anual, realizado em Brasília, adotar uma nova moeda para quantificar os projetos de Ti: A Cueca, representada pelo símbolo Cu$. Veja ao lado, o design da nova unidade monetária que está valorizadíssima: cada cueca vale U$ 100 mil Dólores. É mole!!!!!!