7/09/2009

As novas ferramentas do ensino à distância no Brasil.

No próximo sábado,11 de julho de 2009, o programa Globo Universidade apresentará as novas ferramentas usadas no ensino à distância no Brasil. Os repórteres Bianca Rothier e André Curvello apresentarão as principais soluções e entrevistarão alguns professores que já tem experiência na utilização do ensino à distância.
O Globo Universidade é exibido regurlamente aos sábados, às 7h15, na Rede Globo, com reapresentação na Globo News às 13h05, e no canal Futura, às quartas-feiras, no horário das 16h30.

6/26/2009

Aplicação da tecnologia na educação

A tecnologia pode ser uma grande aliada dos educadores em suas tarefas docentes. Contudo, a sua aplicação não se resume apenas no uso do computador em sala de aula. O primeiro passo, até mesmo antes de se pensar em hardware e software, é identificar e aprofundar a compreensão dos fundamentos que funcionarão como eixos de aplicação da tecnologia na educação. O video Letramento Digital, produzido pela Educarede , nos fornece algumas pistas sobre esse fundamentos.

6/22/2009

Conhecimento e projetos de inovação tecnológica

O livro Projetos de Inovação Tecnológica acaba de ser lançado pela Sociedade Pró-Inovação Tecnológica (Protec) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

Organizada por Joel Weisz, diretor da Protec e especialista em política e gestão de inovação tecnológica, a obra descreve ferramentas importantes para a execução de projetos de inovação tecnológica por empresas e institutos de ensino e pesquisa, de modo a contemplar todos os fatores envolvidos no desenvolvimento de projetos de inovação.

O livro está disponível para consulta gratuita no site do IEL: www.iel.org.br

Clique no link para ler a matéria completa: Passo a passo da inovação

Fonte: Agência Fapesp

6/18/2009

Um incentivo à busca do conhecimento


O projeto Brasiliana Digital, que permitirá acesso livre pela Internet à coleção de mais de 40 mil volumes da Biblioteca Guita e José Mindlin, doada à Universidade de São Paulo (USP) em 2006, foi lançado oficialmente na última terça-feira (16/6/2009).

A versão inicial, já em funcionamento, oferece acesso a 3 mil documentos da coleção construída por Mindlin ao longo de mais de 80 anos. O lançamento do projeto ocorreu durante a cerimônia de abertura do seminário Livros, Leituras e Novas Tecnologias, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista.

Clique no link para ler a matéria completa: Tesouro brasileiro na internet

Site do projeto: Brasiliana Digital

Fonte: Agência Fapesp

5/18/2009

Prefeitura de Curitiba investe em gestão do conhecimento

O conhecimento é um fator competitivo em qualquer ramo de atividade. Quando utilizado no atendimento aos clientes, apoiado por ferramentas tecnológicas, além das boas práticas da gestão, ele pode trazer execlentes resultados para as empresas.

Clique nos links a seguir e saiba masi sobre o tema:

Paranashop: Prefeitura de Curitiba implementa gestão do conhecimento
Portal Fator: Escola inteligente


Por Orlando Ribeiro
18/05/2009

5/13/2009

Patrimônio histórico de Ribeirão Preto será matéria de estudo na rede municipal de ensino

A rede de ensino do município de Ribeirão Preto vai oferecer aulas sobre o patrimônio histórico da cidade.

Segundo a presidente do Conppac (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto), Cláudia Morrone, as crianças aprendem que devem "preservar a memória", mas não sabem o que isso segnifica na prática, isto é, não sabem o quê preservar!

O projeto prevê a realização de palestras para alunos do ensino infantil e fundamental e conta com o apoio de representantes das universidades locais, bem como de técnicos da Prefeitura.

Fonte: Gazeta de Ribeirão Preto
Clique aqui para ler a matéria completa:"Estímulo à Memória"

5/10/2009

Brasil: aumento da produção de conhecimento


Segundo informe da Agência FAPESP "o Brasil alcançou a 13ª posição na classificação mundial em produção científica em 2008, ultrapassando a Rússia (15ª) e a Holanda (14ª), de acordo com informações da Web of Science divulgadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Clique aqui para ler a matéria completa


Mais informações: www.periodicos.capes.gov.br

5/06/2009

Inglês e espanhol fora do Enem

Segundo notícia publicada no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), a primeira edição do vestibular unificado não incluirá questões de línguas estrangeiras (inglês espanhol).
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado em todo o país nos dias 3 e 4 de outubro, não trará questões de língua estrangeira. Conforme explica a matéria, a decisão será aplicada apenas este ano e foi tomada pela comissão de reitores das universidades federais que está assessorando o MEC.
O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Álvaro Prata, afirmou que além de retirar as questões de língua estrangeira da prova, a comissão também pediu que a matéria ensinada nos dois últimos meses do terceiro ano seja retirada do programa.
"A língua estrangeira ainda não é oferecida em todas as escolas, e não haveria tempo para a preparação dos estudantes – disse o reitor, acrescentando que o conteúdo dos últimos meses não afetará a avaliação do MEC, que pretende ver o que o aluno aprendeu durante toda a escolarização".
Não é estranho que um país como o Brasil, com grandes pretensões e possibilidades de ampliar sua participação na comunidade internacional, trate o ensino de línguas com tanto desdém?

Clique aqui para ler a matéria completa

Fonte:
Jornal Zero Hora

5/02/2009

150 alunos por computador em Ribeirão Preto


Em matéria publicada em 02 de maio de 2009, o Jornal A Cidade informa que a relação de alunos por computador no município de Ribeirão Preto é de 150 para 1. Segundo a matéria, esse índice está longe de alcançar a recomendação do MEC, que é de 3 alunos por computador.

Embora o artigo informe que " monitores dão orientações para o uso dos programas Excel e Word", ele também esclarece que não há aulas específicas de informática e que, apesar disso, os professores procuram estimular os alunos a usar os computadores em suas atividades escolares.

A matéria também menciona que as escolas estaduais em Ribeirão Preto também enfrentam uma situação parecida, bem como há comentários sobre a resistência e a falta de intimidade dos professores com a tecnologia.

As notícias não são boas e muito menos promissoras. Pelo visto, o letramento digital é um tema que ainda está longe de obter o espaço necessário na educação.

Dessa forma, como os alunos poderão desenvolver competências e habilidades para estudar e trabalhar em um mudo digital se não tiverem oportunidade de aprender a lidar com a tecnologia da informação?


Fonte: Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 02/05/2009.
Leia a matéria na íntegra: Ribeirão tem 150 alunos para cada computador

Orlando Ribeiro
Site profissional: www.orlandoribeiro.trd.br

3/10/2007

Tecnologia e palavras: Byte



Na maioria dos sistemas computacionais, um byte é uma unidade de dados composta por oito dígitos binários. Um byte é uma unidade que a maioria dos computadores usa para representar um caractere como uma letra, um número ou um símbolo tipográfico (por exemplo: “g”, “5” ou “?”). Um byte também pode conter uma string de bits que precisam ser usados em alguma unidade maior para propósitos de aplicação (por exemplo, uma certa quantidade de bits que compõe uma imagem para um programa que exibe imagens ou uma string de bits que compõe o código executável de um programa de computador).
Leia o artigo original em inglês aqui!

3/04/2007

Comunicação vira fumaça na sociedade da desinformação


Clareza e objetividade. É isso! Embora sejam os elementos mais importantes na comunicação, são os que menos encontramos nos sites de tantas empresas de desenvolvimento de software. O que se percebe é um labirinto de idéias confusas e uma ladainha revestida pelo jargão marketeiro americano que vive se repetindo nos discursos do setor de TI. Será que a comunicação virou fumaça na sociedade da desinformação!

Parece que ninguém se preocupa mais em dizer coisas que valham a pena escutar, usar a linguagem certa, conhecer o ouvinte, selecionar o conteúdo adequado e informar, promover, encorajar, persuadir, desafiar as pessoas a ouvir, entender e aprender a utilizar corretamente os produtos e serviços que compram.

É um tal de ecosistema prá lá, solução prá cá, TCO, budget, business plan e outras palavras surradas e manjadas atiradas no vácuo. Ah! A gente pode fazer mais do que isso! Xô mesmice, falta de assunto. Chega de ruído e pouca comunicação.

Pô cara! Quando é que esse blá, blá, blá vai ter fim??!!

2/25/2007

E-waste: uma praga silenciosa e perigosa!


A economia emergente da Índia está produzindo montanhas de lixo tóxico eletrônico como computadores e televisores obsoletos, mas ainda não há leis que regulamentem seu descarte, informou um grupo ambiental local na sexta-feira.

A organização ambiental Toxics Link informou que ao mesmo tempo em que a economia do gigante asiático está crescendo 8 % ao ano a mais do que os últimos três anos, ela também gera 150 mil toneladas de lixo eletrônico por ano. Leia a matéria na íntegra.

2/21/2007

Por quê software não tem manual de instruções?!!



Remédio tem bula. Café, açúcar e tantos outros produtos alimentícios fornecem ao consumidor informações nutricionais e receitas que ensinam a usar o produto. Os fabricantes de escovas de dentes, shampoos, camisinha, fio dental, máquinas de calcular, batedeiras, liquidificadores, automóveis, oferecem algum tipo de orientação ao consumidor sobre a utilização de seus produtos. Por quê, então, inúmeras empresas que desevolvem software não fornecem qualquer informação sobre seu funcionamento e utilização aos usuários?!

12/09/2006

Quadrinhos: sedução, inteligência e cumplicidade como instrumentos de transformação da realidade

Umberto Eco é um mestre. Suas idéias sobre o papel da imagem na comunicação possuem grande importância. Ele nos mostra que a imagem requer leitura atenta e crítica, pois ela pode conter mensagens subliminares, conotações negativas, ironias e contradições, que mesmo sendo imperceptíveis à primeira vista, sempre produzem efeitos. Dentro dessa perspectiva, os quadrinhos jamais deveriam ser encarados como “coisa de criança”.

Partindo desse ponto de vista, o autor de quadrinhos busca o interesse, o entusiasmo e até mesmo a cumplicidade do leitor para transmitir sua mensagem. Para atingir o seu objetivo, ele lança mão de vários recursos de expressão. Porém, a imagem é sua arma principal. É com ela que ele seduz o leitor.

Como um lavrador que semeia pacientemente e espera a hora certa da colheita, o autor prepara a mensagem que o público deverá decodificar, servindo-se dos signos e de suas relações com um código invisível, confiando que os leitores os conheçam e entendam. Esse código, que é universal, não encontra barreiras e é capaz de ser entendido em qualquer parte. Podemos dizer, sem receio algum, que ele é fruto da experiência humana sobre a terra ao longo dos séculos. Portanto, ele faz parte da “alma do mundo”.

Como Umberto Eco nos mostra em “Leitura de Steve Canyon”, esse código baseia-se na representação de valores e conceitos por meio dos signos. Essa representatividade é dinâmica e provoca reações nas pessoas, interferindo, sem dúvida, nos diversos planos das relações humanas: plano filosófico e conceitual, plano político e econômico, plano sentimental e amoroso, por exemplo.

Juntamente com a utilização dos signos, a perspicácia do autor de quadrinhos na exposição gradual de atributos físicos, emocionais, sociais e psicológicos das personagens, dá pistas ao leitor para que este as crie em sua mente. Como se pode notar, o leitor também deve usar seu talento e inteligência para interagir com o autor, construindo as “almas” das personagens com seu próprio esforço, tornando-se seu cúmplice na trama.

Trabalhando com esse código, o autor, mestre da comunicação, usa a indução, a dedução e abdução como instrumentos para construir o universo da história em quadrinhos. Como matéria-prima, ele emprega tipos de padrões, ícones, idéias, preconceitos, rótulos, estereótipos, por exemplo, que fazem parte desse código universal. Dessa forma, ele estabelece um diálogo rico de significados, que desafia o leitor a mergulhar nesse universo para examinar e confrontar os conceitos, valores e atitudes das personagens no contexto em que foram criadas. Ao levar a efeito esse confronto, o leitor é capaz de transpor a realidade representada pela história para o mundo real onde ele vive. Assim, ele tem a oportunidade de tirar suas conclusões e formar a sua opinião. E quem é capaz de produzir suas próprias opiniões, tem o poder de transformar sua realidade.


Ribeirão Preto, 02/12/2006

10/14/2006

A localização de websites

O aumento das vendas de microcomputadores e o crescimento diário do acesso à Internet estão transformando a grande rede no primeiro lugar onde as pessoas vão procurar informações, produtos e serviços. Também não é segredo que o idioma predominante na Internet é o Inglês. Contudo, no final de 2002, foi estimado que 32% dos internautas não usavam o Inglês como primeira língua. Desde então esse número vem aumentando e não há dúvidas de que a diversidade lingüística está se expandindo no ciberespaço. Conseqüentemente, as grandes empresas perceberam como é importante preparar-se para interagir com um mercado segmentado, multicultural e multilíngüe.

Dessa forma, o conceito de localização de produtos começou a ser aplicado, mesmo que timidamente, aos projetos de websites. Entretanto, localizar um site, usá-lo como um canal de comunicação e atender aos requisitos culturais do seu público alvo, não é uma tarefa simples. Isso exige o uso de alguns recursos essenciais: tecnologia da informação, gestão de projetos, conhecimentos lingüísticos e culturais. Se algum desses ingredientes for negligenciado, o fracasso será inevitável.

De fato, as questões culturais e lingüísticas são as mais delicadas e, ao mesmo tempo, as mais esquecidas. A cultura e o idioma influenciam tudo o que fazemos, dizemos, lemos, escutamos e pensamos. Nem mesmo a Internet consegue escapar de sua influência. Sob esse aspecto, um site, ao interagir com um grupo social, exerce o papel de um agente de mudanças que desperta emoções, fomenta interesses, propõe novas idéias e subverte costumes. Não é fácil lidar com isso sem conhecimento e inteligência. Por isso, a localização de websites apresenta-se como um instrumento poderoso, mas que exige projetos inteligentes, técnicos competentes e, acima de tudo, profissionais com sensibilidade para lidar com a diversidade cultural que explode na Internet.

A tradução é um dos diversos fatores críticos na localização de websites. Na verdade, o conteúdo encerra muitas armadilhas. Os textos estão cheios de expressões idiomáticas, provérbios e metáforas que não podem ser traduzidos literalmente sem distorcer seu sentido original. E os tradutores automáticos? Isso mesmo! Aqueles que a Internet oferece gratuitamente. Ah! Esses são piores do que a encomenda. Uma língua é muito mais do que uma coleção de palavras.

E as imagens? Elas podem conter mensagens subliminares, conotações negativas, ironias e contradições que são imperceptíveis à primeira vista. Por exemplo, no Brasil, um site com imagens de mulheres de biquínis curtíssimos e bebendo cerveja é considerado normal, porém, como ele seria recebido em um país Islâmico? Uma imagem diz mais do que mil palavras. Portanto, todo cuidado é pouco.

Essas considerações representam apenas a ponta do iceberg. Existem outros fatores que precisam ser bem examinados, como por exemplo, os símbolos e as cores. Diante do que foi exposto, é possível perceber que a capacidade tecnológica, por si só, não é suficiente para garantir o sucesso de um projeto web. A sensibilidade cultural e a competência lingüística deveriam receber mais atenção.

Orlando Ribeiro

4/21/2006

Você sabe o que é Localização de Software?

A LISA é uma organização internacional que se dedica à localização e padronização Industrial. Ela ainda não é muita conhecida no Brasil, mas o seu trabalho nos interessa bastante. Mas afinal de contas, o que é essa tal de localização? Pois bem, a localização é o processo que modifica e adapta produtos para ajustá-los às diferenças culturais, sociais e econômicas dos mercados onde as indústrias desejam introduzi-los. Segundo esse conceito, um software de gestão produzido no Brasil precisaria sofrer mudanças de idioma, projeto e processos, por exemplo, se o seu produtor quisesse comercializá-lo em outros países da América Latina.

A localização de produtos é uma área recente, pois a internacionalização das relações culturais, econômicas e políticas explodiu somente na década de 80 com a expansão da indústria das telecomunicações e da tecnologia da informação. Nessa época, satélites e computadores subverteram conceitos e arrancaram o mundo de sua órbita. Em meados dos anos 90, a internet acelerou esse processo e deu origem a um fenômeno social e cultural de grande impacto: a globalização. Não havia mais fronteiras, mercados ou regimes políticos isolados. Os consumidores podiam ser atingidos em qualquer local do globo em poucas horas. Contudo, surgiram algumas complicações: Como produzir, vender e entregar produtos que satisfizessem as necessidades e respeitassem as diferenças culturais, lingüísticas e étnicas de consumidores das mais variadas origens?

Certamente, a adaptação cultural e funcional de produtos é um fator de sucesso para as empresas que desejam competir no mercado mundial. Contudo, embora a localização possa ser aplicada em uma ampla variedade de indústrias, atualmente, ela está mais freqüentemente associada à produção de software e hardware. Portanto, não é difícil reconhecer a contribuição da localização para a expansão do mercado internacional da tecnologia da informação. Empresas como a Microsoft e IBM não teriam alcance mundial se não tivessem construído uma estrutura para localizar seus produtos para diferentes culturas. É certo que esse processo não é simples já que ele exige a muito estudo e trabalho de tradução da interface do usuário e manuais do produto para outra língua, ajustes de suas características técnicas, funcionais e culturais, adequação à legislação local e a execução dos testes que garantam o funcionamento do produto.

O Brasil possui vocação para produção de software e apresenta ótimas perspectivas de crescimento. Existem algumas empresas brasileiras que exportam software, a Softex e o MCT. Contudo, ainda estamos engatinhando e há grande necessidade de investimentos que viabilizem novos empreendimentos. A processo de localização é uma das atividades que podem estimular a exportação de software e, portanto, merece atenção de empresas, universidades e dos órgãos governamentais competentes. Se o Brasil quiser competir nesse mercado, precisará investir em localização de software.

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 13 de abril de 2006

3/14/2006

O construtor de pontes

Podemos comparar a arte de traduzir com a arte de caminhar sobre o fio de uma espada. Qualquer deslize pode ser fatal porque as palavras e os pensamentos são ingredientes preciosos, mas perigosos, que fazem parte de uma receita incapaz de agradar a todos os paladares: a comunicação.

A palavra tradução, que vem do termo latino traducere, significa verter, trasladar de uma língua para outra. Curiosamente, a palavra traição que vem do latim traditione e significa o ato ou efeito de trair, possui o mesmo radical (trad) e esse fato lança no ar uma questão perturbadora: “traduzir é trair?”.

Então, o que é preciso para ser um bom tradutor? Bem, creio que não existe uma receita infalível porque a tradução está longe de ser uma ciência exata. Talvez o primeiro passo seja aceitar que ninguém é perfeito e lembrar sempre que o único tradutor que não erra é aquele que não exerce seu ofício.

A propósito, lembro-me de um velho amigo que conheci nos tempos da faculdade. O pessoal o chamava de “Mané” por causa do sotaque aportuguesado que ele tinha. Filho de um português e de uma canadense, o “Mané” nasceu em Angola e se mudou para o Brasil aos 15 anos. Ele fala Inglês, português, francês, um dileto africano e aprendeu tupi-guarani durante o tempo que morou no Xingu. Quando eu o conheci ele estava com 35 anos e trabalhava com traduções há uns 10 anos. Ele viajou por toda a Europa, estudou no Canadá e vagabundeou pelos Estados Unidos viajando de carona. Um dia ele “desbundou” e voltou para o Brasil porque descobriu que gostava mesmo era de sol, praia, mulatas e cerveja bem gelada. Quando eu lhe contei que eu estou me preparando para ser tradutor, ele não falou nada. Alguns dias depois recebi o seguinte e-mail:

“Caro Lan, não é fácil ser um tradutor. Esteja preparado para estudar o resto de sua vida, mas não se torne um CDF reacionário. Busque o novo, use computador, Internet. Não tenha medo da tecnologia, mas também não lhe dê mais importância do que ela merece. Aprenda a gostar do teu trabalho e você se tornará um bom profissional, mas não se deixe seduzir pela perfeição. O cara perfeito é antes de tudo um chato. Tenha em mente que o tradutor é um operário das letras que vive entre dúvidas, urgências e incompreensões, porém ele nunca deve se esquecer que a razão de seu trabalho são as pessoas. Portanto, não deixe que seus conhecimentos e o sucesso o transformem numa pessoa arrogante. Ninguém sabe tudo e quando você tiver alguma dúvida, procure ajuda, não seja orgulhoso. Você se lembra de Sócrates? Tudo que sei é que nada sei.

Também sugiro que você aprenda a se colocar no lugar dos outros e a aceitar que as pessoas são diferentes. Isso te ajudará a descobrir que o tradutor tem que mergulhar nos textos que traduz da mesma forma que um ator encarna seus personagens. E acima de tudo, nunca se canse de buscar as palavras que se amam para se tornar um construtor de pontes e aproximar as pessoas umas das outras. Um grande abraço, John.”


Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto/SP
Orlando Ribeiro

2/18/2006

A tecnologia e suas contradições

No famoso romance de Robert L. Stevenson, “O médico e o monstro”, o bom doutor Jekil transformava-se no cruel senhor Hyde; da mesma forma, a Internet também traz em si a semente do bem e do mal. Como um espião, ela atravessa clandestinamente os continentes, invade corações e mentes, derruba todas as fronteiras ideológicas, geográficas e culturais. Sem dúvida, vivemos em uma “aldeia global”. O Haiti é aqui. O “tsunami” amedrontou todos nós. Os temores provocados pelas bombas de Londres também atingiram o solo tupiniquim. “A grande rede” estende suas garras numa fração de segundos; transgride nossa privacidade e causa profundas mudanças no comportamento humano. O conflito é inevitável.

O muro de Berlim foi derrubado no final da década de 80, mas, infelizmente, o modelo de desenvolvimento tecnológico que praticamos está construindo silenciosamente uma nova muralha muito mais difícil de destruir. É visível a divisão do planeta em dois blocos que se afastam cada vez mais um do outro: Ricos e pobres ou incluídos e excluídos. As nações mais poderosas – e ricas – são aquelas que produzem tecnologia e conhecimento e estão “incluídas” na espaçonave que partirá para um futuro de sucesso. Enquanto isso, nos países mais pobres, as pessoas passam fome, morrem doentes, mal sabem ler e escrever. De que forma então podem produzir tecnologia e ciência? Vivem no limbo do progresso, “excluídos” deste admirável mundo novo e das oportunidades de um futuro melhor

Outro fato preocupante: embora estamos inseridos na sociedade da informação, a ignorância e a violência parecem não ter fim. Somos bombardeados diariamente por uma enxurrada de dados: e-mails, marketing virtual, “websites” e “newsletters”. É muito lixo virtual, cultural inútil, sofismas e ideologias de toda sorte que tentam confundir nosso pensamento para manipular nossa opinião. Quem não pensa não é dono de seu destino. E a Internet que surgiu para ser um elemento multiplicador do saber, acaba sendo usada como um instrumento de alcoviteiros e pescadores de águas turvas. O exercício da razão deveria ser moda permanente.

A Internet também é uma evidência de que não é mais possível controlar tudo. Sinal dos tempos? O mundo está girando tão rápido que quando criamos um sistema para controlar “algo”, este “algo” já mudou ou não existe mais. Onde nos levará essa anarquia virtual? Isso tudo é muito novo e inquietante para nós e creio que levaremos algum tempo para aprender a lidar com esses fenômenos. Talvez por isso vivamos tão ansiosos e estressados. Chegamos até a perder o ingênuo hábito de cantar e assobiar descontraidamente. Terá o “homo tecnologicus” empenhado sua humanidade em troca da volúpia do poder? Talvez devêssemos dar menos importância aos ídolos tecnológicos que criamos e lembrar que somos pessoas. De que vale esse modelo de progresso tecnológico se não somos felizes? Contradições da modernidade!

Onde foi publicado

11/27/2005

O Turismo Rural na Região de Ribeirão Preto

O Turismo Rural é um segmento de negócios novo na região de Ribeirão Preto e no Brasil. O seu surgimento e expansão estão associados aos seguintes fatores: a necessidade que o produtor rural tem de diversificar sua fonte de renda e a vontade da população urbana de escapar do stress, reencontrar suas raízes, conviver com a natureza, com as tradições, costumes e com os valores das populações do interior.

A visitação de propriedades rurais é uma prática antiga e comum no Brasil. Entretanto, a exploração econômica desta atividade, caracterizada como Turismo Rural, tem pouco mais de vinte anos. As primeiras iniciativas ligadas ao turismo em ambiente rural em nosso país foram registradas na década de 80, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, alguns proprietários rurais que se sentiam pressionados pelas dificuldades do setor agropecuário, resolveram diversificar suas atividades e descobriram o grande potencial econômico do turismo no ambiente rural.

Na região de Ribeirão Preto, o Turismo Rural começou a ser desenvolvido há cerca de 12 anos atrás. Porém, ainda não apresenta resultados expressivos, porque enfrenta muitas dificuldades como a falta de conhecimento do potencial turístico regional, falta de interesse, organização e escassez de investimentos. Muitos municípios da região ainda não têm projetos turísticos, seja por carência de recursos ou por não reconhecer o potencial de desenvolvimento que esta atividade pode proporcionar. Esqueceram o turismo e apostaram tudo no agronegócio; talvez sem perceber que ambos estão ligados por um cordão umbilical comum: a terra.

Não é difícil constatar a falta de empregos e os seus efeitos danosos na sociedade. Segundo os economistas, a indústria deixou de ser um segmento gerador de postos de trabalho e o comércio não pode crescer enquanto o poder de compra da população estiver em baixa. Muitos defendem que a solução para essa crise é o incentivo ao empreendedorismo. Novos empreendimentos significam novos empregos e mais renda. Nesse aspecto, o Turismo Rural surge como uma alternativa econômica viável, pois ao atrair visitantes que consomem produtos e serviços, ele movimenta a economia, cria novas empresas, principalmente micro e pequenos negócios, gerando novas oportunidades de trabalho. Um exame mais detalhado poderá apontar outros benefícios do Turismo Rural, como por exemplo: conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

A região de Ribeirão Preto tem uma vocação natural para as atividades rurais. Também possui uma riqueza histórica única e uma cultura singular forjada pela integração de vários povos. Será um sonho impossível implementar um conjunto atividades turísticas em nosso meio rural? Não será este um novo caminho para estimular a biodiversidade econômica? Talvez esta seja uma ótima oportunidade para incentivar uma indústria limpa, resgatar e promover a herança cultural e o patrimônio natural da comunidade interiorana.

Por Orlando Ribeiro

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 22/11/2005

11/13/2005

200 anos de devastação

Não sou biólogo, ambientalista, ou cientista. Também não pertenço ao clube daqueles que são contra o progresso e hostilizam os empreendedores. Sou um cidadão e não aprovo radicalismos. Entretanto, ao fazer uma pesquisa sobre a História da região de Ribeirão Preto, percebi a existência de um processo de devastação ambiental que já dura cerca de duzentos anos.
Esse processo começou com as primeiras incursões dos bandeirantes que cruzavam o sertão em busca de ouro e também capturavam índios para vender como escravos. Essas incursões abriram os caminhos para o coração do Brasil e desencadearam o surgimento das primeiras células de ocupação do interior paulista. A natureza perdeu sua virgindade; a mata Atlântica sentiu os primeiros golpes de machado e o cerrado conheceu o fogo dos invasores.
Na segunda metade do século 19, a cultura do café entrou em declínio no Vale do Paraíba e foi nessa época que se descobriu o grande potencial cafeeiro das terras da região de Ribeirão Preto. O café chegou, ganhou força e reinou absoluto durante décadas. A multiplicação dos cafeeiros inaugurou uma nova etapa da devastação ambiental.
Depois de se arrastar por sucessivas crises, a monocultura do café sofreu um duro golpe com a crise de 1929. Os cafeicultores, em sua maioria falidos, passaram a buscar novas culturas para introduzir em suas terras. O algodão e a cana-de-açúcar entraram em cena e, após o fim da segunda grande guerra, com crescimento do consumo de açúcar e álcool, o plantio da cana fortaleceu-se até tomar o lugar do café. No final dos anos 70, com o lançamento do Pro-álcool, a cana conquistou a hegemonia econômica na região. Porém, junto com o progresso, vieram danos ambientais em escala muito maior do que aqueles provocados pelo café.
Paralelamente, o processo de urbanização acelerou-se em virtude do aumento da população e da instalação de novas indústrias. As cidades cresceram desordenadamente causando problemas de ocupação e utilização do solo, falta de saneamento e mais desequilíbrio ambiental.
A situação do aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, é uma conseqüência desse processo de degradação ambiental na região de Ribeirão Preto. Suas águas são utilizadas no abastecimento de água de inúmeras cidades, na indústria e na irrigação. Porém, o desmatamento desenfreado comprometeu seriamente a cobertura vegetal que protegia os seus pontos de afloramento e recarga. A contaminação do solo causada pelo uso de agrotóxicos é outra grave ameaça à qualidade das águas do aqüífero.
A questão ambiental é bastante grave. Já sentimos os efeitos negativos da devastação do meio ambiente pois a natureza está reagindo às agressões que vem recebendo durante décadas. Ou aprendemos a equilibrar progresso econômico, respeito ao próximo e conservação ambiental, ou as próximas gerações pagarão um preço terrível pela nossa incompetência.

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 08/11/2005