2/18/2006

A tecnologia e suas contradições

No famoso romance de Robert L. Stevenson, “O médico e o monstro”, o bom doutor Jekil transformava-se no cruel senhor Hyde; da mesma forma, a Internet também traz em si a semente do bem e do mal. Como um espião, ela atravessa clandestinamente os continentes, invade corações e mentes, derruba todas as fronteiras ideológicas, geográficas e culturais. Sem dúvida, vivemos em uma “aldeia global”. O Haiti é aqui. O “tsunami” amedrontou todos nós. Os temores provocados pelas bombas de Londres também atingiram o solo tupiniquim. “A grande rede” estende suas garras numa fração de segundos; transgride nossa privacidade e causa profundas mudanças no comportamento humano. O conflito é inevitável.

O muro de Berlim foi derrubado no final da década de 80, mas, infelizmente, o modelo de desenvolvimento tecnológico que praticamos está construindo silenciosamente uma nova muralha muito mais difícil de destruir. É visível a divisão do planeta em dois blocos que se afastam cada vez mais um do outro: Ricos e pobres ou incluídos e excluídos. As nações mais poderosas – e ricas – são aquelas que produzem tecnologia e conhecimento e estão “incluídas” na espaçonave que partirá para um futuro de sucesso. Enquanto isso, nos países mais pobres, as pessoas passam fome, morrem doentes, mal sabem ler e escrever. De que forma então podem produzir tecnologia e ciência? Vivem no limbo do progresso, “excluídos” deste admirável mundo novo e das oportunidades de um futuro melhor

Outro fato preocupante: embora estamos inseridos na sociedade da informação, a ignorância e a violência parecem não ter fim. Somos bombardeados diariamente por uma enxurrada de dados: e-mails, marketing virtual, “websites” e “newsletters”. É muito lixo virtual, cultural inútil, sofismas e ideologias de toda sorte que tentam confundir nosso pensamento para manipular nossa opinião. Quem não pensa não é dono de seu destino. E a Internet que surgiu para ser um elemento multiplicador do saber, acaba sendo usada como um instrumento de alcoviteiros e pescadores de águas turvas. O exercício da razão deveria ser moda permanente.

A Internet também é uma evidência de que não é mais possível controlar tudo. Sinal dos tempos? O mundo está girando tão rápido que quando criamos um sistema para controlar “algo”, este “algo” já mudou ou não existe mais. Onde nos levará essa anarquia virtual? Isso tudo é muito novo e inquietante para nós e creio que levaremos algum tempo para aprender a lidar com esses fenômenos. Talvez por isso vivamos tão ansiosos e estressados. Chegamos até a perder o ingênuo hábito de cantar e assobiar descontraidamente. Terá o “homo tecnologicus” empenhado sua humanidade em troca da volúpia do poder? Talvez devêssemos dar menos importância aos ídolos tecnológicos que criamos e lembrar que somos pessoas. De que vale esse modelo de progresso tecnológico se não somos felizes? Contradições da modernidade!

Onde foi publicado

11/27/2005

O Turismo Rural na Região de Ribeirão Preto

O Turismo Rural é um segmento de negócios novo na região de Ribeirão Preto e no Brasil. O seu surgimento e expansão estão associados aos seguintes fatores: a necessidade que o produtor rural tem de diversificar sua fonte de renda e a vontade da população urbana de escapar do stress, reencontrar suas raízes, conviver com a natureza, com as tradições, costumes e com os valores das populações do interior.

A visitação de propriedades rurais é uma prática antiga e comum no Brasil. Entretanto, a exploração econômica desta atividade, caracterizada como Turismo Rural, tem pouco mais de vinte anos. As primeiras iniciativas ligadas ao turismo em ambiente rural em nosso país foram registradas na década de 80, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, alguns proprietários rurais que se sentiam pressionados pelas dificuldades do setor agropecuário, resolveram diversificar suas atividades e descobriram o grande potencial econômico do turismo no ambiente rural.

Na região de Ribeirão Preto, o Turismo Rural começou a ser desenvolvido há cerca de 12 anos atrás. Porém, ainda não apresenta resultados expressivos, porque enfrenta muitas dificuldades como a falta de conhecimento do potencial turístico regional, falta de interesse, organização e escassez de investimentos. Muitos municípios da região ainda não têm projetos turísticos, seja por carência de recursos ou por não reconhecer o potencial de desenvolvimento que esta atividade pode proporcionar. Esqueceram o turismo e apostaram tudo no agronegócio; talvez sem perceber que ambos estão ligados por um cordão umbilical comum: a terra.

Não é difícil constatar a falta de empregos e os seus efeitos danosos na sociedade. Segundo os economistas, a indústria deixou de ser um segmento gerador de postos de trabalho e o comércio não pode crescer enquanto o poder de compra da população estiver em baixa. Muitos defendem que a solução para essa crise é o incentivo ao empreendedorismo. Novos empreendimentos significam novos empregos e mais renda. Nesse aspecto, o Turismo Rural surge como uma alternativa econômica viável, pois ao atrair visitantes que consomem produtos e serviços, ele movimenta a economia, cria novas empresas, principalmente micro e pequenos negócios, gerando novas oportunidades de trabalho. Um exame mais detalhado poderá apontar outros benefícios do Turismo Rural, como por exemplo: conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

A região de Ribeirão Preto tem uma vocação natural para as atividades rurais. Também possui uma riqueza histórica única e uma cultura singular forjada pela integração de vários povos. Será um sonho impossível implementar um conjunto atividades turísticas em nosso meio rural? Não será este um novo caminho para estimular a biodiversidade econômica? Talvez esta seja uma ótima oportunidade para incentivar uma indústria limpa, resgatar e promover a herança cultural e o patrimônio natural da comunidade interiorana.

Por Orlando Ribeiro

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 22/11/2005

11/13/2005

200 anos de devastação

Não sou biólogo, ambientalista, ou cientista. Também não pertenço ao clube daqueles que são contra o progresso e hostilizam os empreendedores. Sou um cidadão e não aprovo radicalismos. Entretanto, ao fazer uma pesquisa sobre a História da região de Ribeirão Preto, percebi a existência de um processo de devastação ambiental que já dura cerca de duzentos anos.
Esse processo começou com as primeiras incursões dos bandeirantes que cruzavam o sertão em busca de ouro e também capturavam índios para vender como escravos. Essas incursões abriram os caminhos para o coração do Brasil e desencadearam o surgimento das primeiras células de ocupação do interior paulista. A natureza perdeu sua virgindade; a mata Atlântica sentiu os primeiros golpes de machado e o cerrado conheceu o fogo dos invasores.
Na segunda metade do século 19, a cultura do café entrou em declínio no Vale do Paraíba e foi nessa época que se descobriu o grande potencial cafeeiro das terras da região de Ribeirão Preto. O café chegou, ganhou força e reinou absoluto durante décadas. A multiplicação dos cafeeiros inaugurou uma nova etapa da devastação ambiental.
Depois de se arrastar por sucessivas crises, a monocultura do café sofreu um duro golpe com a crise de 1929. Os cafeicultores, em sua maioria falidos, passaram a buscar novas culturas para introduzir em suas terras. O algodão e a cana-de-açúcar entraram em cena e, após o fim da segunda grande guerra, com crescimento do consumo de açúcar e álcool, o plantio da cana fortaleceu-se até tomar o lugar do café. No final dos anos 70, com o lançamento do Pro-álcool, a cana conquistou a hegemonia econômica na região. Porém, junto com o progresso, vieram danos ambientais em escala muito maior do que aqueles provocados pelo café.
Paralelamente, o processo de urbanização acelerou-se em virtude do aumento da população e da instalação de novas indústrias. As cidades cresceram desordenadamente causando problemas de ocupação e utilização do solo, falta de saneamento e mais desequilíbrio ambiental.
A situação do aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, é uma conseqüência desse processo de degradação ambiental na região de Ribeirão Preto. Suas águas são utilizadas no abastecimento de água de inúmeras cidades, na indústria e na irrigação. Porém, o desmatamento desenfreado comprometeu seriamente a cobertura vegetal que protegia os seus pontos de afloramento e recarga. A contaminação do solo causada pelo uso de agrotóxicos é outra grave ameaça à qualidade das águas do aqüífero.
A questão ambiental é bastante grave. Já sentimos os efeitos negativos da devastação do meio ambiente pois a natureza está reagindo às agressões que vem recebendo durante décadas. Ou aprendemos a equilibrar progresso econômico, respeito ao próximo e conservação ambiental, ou as próximas gerações pagarão um preço terrível pela nossa incompetência.

Publicado no Jornal A Cidade de Ribeirão Preto em 08/11/2005

10/30/2005

O que preocupa os empresários?

Que me perdoem os profissionais de tecnologia da informação, mas os empresários não estão preocupados com sistemas, computadores ou Internet. O que os preocupa e lhes tira a tranqüilidade e o sono é a sobrevivência de seus negócios. E para sobreviver, eles precisam principalmente controlar custos e aumentar receitas. Porém, um certo número de empresários vive um drama: esses dois processos exigem informações que eles não têm, ou então, não sabem como conseguir.
Esse quadro se agrava quando eles descobrem que, embora os arquivos de seus computadores estejam abarrotados de dados, o sistema de gestão, que lhes custou sangue, suor e lágrimas, não é capaz de fornecer as informações que eles precisam. Sentindo-se engessados e frustrados, percebem que investiram em sistemas que acumulam dados mas não têm poder para produzir informações que forneçam suporte às suas decisões.
Nas questões relativas aos custos, por exemplo, muitas empresas não sabem quanto custa produzir um determinado produto e se o volume de suas vendas justifica a continuidade de sua produção. Ou então elas não têm conhecimento do seu custo operacional e o impacto que ele causa nas finanças.
A área de vendas é outra preocupação pois também há algumas perguntas sem respostas. Por exemplo: como analisar as tendências de vendas de cada produto ao longo dos últimos 12 meses? Ou então, qual é a margem de contribuição de cada produto no para o resultado da empresa?
O que é possível fazer quando não consegue respostas para essas perguntas? A tecnologia da informação pode ajudar os empresários a encontrar algumas saídas para seus dilemas, desde que ela seja usada com inteligência. A tecnologia não faz milagres. Enquanto as perguntas não forem formuladas de maneira adequada, as respostas não serão satisfatórias. Para que isso aconteça, é necessário estudar e analisar o ambiente de negócios de cada empresa como se fosse único. Isso exige inteligência, investimentos e profissionais capazes de: identificar as questões mais relevantes, que informações são necessárias para respondê-las e onde e como buscar essas informações.
Conhecendo essas informações, os empresários poderão interpretá-las e compreender a dinâmica das operações e processos, entendendo assim o que acontece com o seu negócio. Então, eles terão a capacidade para criar visões que os ajudarão a tomar as decisões que, segundo sua opinião, posicionarão adequadamente a empresa no mercado para enfrentar as dificuldades.
Entretanto, devemos nos conscientizar de que a tecnologia é apenas um instrumento cuja função é fornecer informações; nada mais. As responsabilidades de interpretar, produzir conhecimento e tomar decisões pertencem ao homem, pois apenas ele possui inteligência para agir assim. Sistemas e computadores não pensam, não possuem bom senso ou sensibilidade para fazer avaliações, sejam objetivas ou subjetivas. Isso será sempre uma prerrogativa humana. Graças a Deus!

9/16/2005

A inteligência e o mundo dos negócios

A inteligência é o mais importante dos atributos do homem. Ela nos diferencia dos outros animais e nos permite aprender, pensar e escolher. A palavra inteligência vem do latim intellegere (inter-, "entre", e legere, "escolher" ou "ler"). Também é interessante observar a estreita relação que existe entre inteligência e lógica (do latim logicus, que assim como o termo latino legere, vem do termo grego logos, que significa "palavra", ou ainda "pensamento"). É a inteligência que ajuda o homem a ler as entrelinhas da vida, entender a si mesmo e o mundo ao seu redor. Graças a ela, nós somos capazes de identificar oportunidades, tomar decisões e agir. E ação é vida, movimento e semente da vitória. Concluindo: Inteligência é poder.

Não é à toa que a inteligência sempre teve um papel estratégico na guerra. Afinal, conhecer antecipadamente os planos, as forças e fraquezas do inimigo, pode assegurar a vitória. Nesse aspecto, Sun Tzu, o general-filósofo chinês que viveu há 2500 anos, foi um grande mestre. Em seu livro A arte da guerra, ele ensina que a informação e a inteligência são fundamentais para se obter o sucesso na guerra: “Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas.” Sun Tzu é apontado por muitos como o maior gênio da inteligência e da estratégia militar.

Com o tempo, observou-se que a inteligência e a estratégia também poderiam ser muito úteis no mundo dos negócios. Porém, foi nos anos 90 que surgiu o conceito de Business Intelligence - inteligência empresarial. Naquela época, o mundo testemunhou o fim da guerra fria entre a União Soviética e os Estados Unidos, as inovações tecnológicas, o grande salto das telecomunicações e a expansão do comércio internacional. A concorrência comercial alcançou todos os continentes e o domínio da informação tornou-se essencial para dar sustentação aos negócios. Neste contexto, a inteligência empresarial surgiu como um conjunto de instrumentos de gestão que engloba recursos de tecnologia da informação, metodologias para coleta e análise de dados e indicadores de desempenho para medir resultados. Sun Tzu foi redescoberto e seu livro tornou-se um sucesso de vendas.

Contudo, existem duas dificuldades preocupantes: o crescente volume de informações e a velocidade com que elas perdem seu valor. Ora, é humanamente impossível coletar todos esses dados, processá-los, analisá-los e tomar decisões sem o uso da tecnologia da informação. Por isso, todas as empresas modernas têm sistemas de informação, bancos de dados e computadores. Porém, como usar esses recursos para ler as entrelinhas do mercado, estabelecer visões de negócios, identificar oportunidades, antever ameaças e agir na hora certa? É aí que entra a inteligência!

Onde foi publicado
  • A estudante Shirlei Grasielli Machado, da Universidade do Vale do Itajaí, na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, está usando este atigo no seu TCC (Trabalho de conclusão de curso) no curso de Bacharel em Ciências da Computação.

8/29/2005

O encontro

Tarde nublada. O frio insinuante, a fumaça negra dos carros, a multidão apressada; cenário agitado que confunde os sentidos e às vezes rouba o pouco de paciência que o Zeferino ainda conseguia manter. De repente, alguém o segura pelo braço: “Moço! Dá um dinheiro pro café?”. O “não” já estava na ponta da língua, mas ao olhar para o sujeito, Zeferino perde a fala. Ele conhecia aquela cicatriz na testa. Aquele mendigo só podia ser o Jota. Quem diria?
- É você Jota?
O homem assustou-se. Tentou fugir, mas Zeferino o segurou.
- Essa cicatriz? Jota, só pode ser você! O que houve contigo?
- Coisas a vida! Pode me dar algum dinheiro?
Zeferino entrou em transe. O passado invadiu o presente revivendo fatos já soterrados pelo tempo. Ele voltou no tempo.
O clima estava tenso. O Jota entrou no CPD e gritou para o Zeferino: “Você está demitido.” Todos ficaram surpresos, pois, afinal, o pobre rapaz não tinha culpa de nada. O verdadeiro culpado era o Renan, sobrinho da Arlete, diretora e mulher do Otávio, o dono da empresa. Ele tinha danificado o sistema de banco de dados causando um grande prejuízo. O Zeferino foi o bode expiatório. Ele tentou dizer algumas palavras em sua defesa, mas o Jota não deu chance.
Quando entrou na empresa, o Jota era outro. Profissional dedicado, marido fiel, companheiro. Porém, a Arlete percebeu sua ambição. Insinuou-se. Seduziu-o por prazer e conveniência. Jota cedeu. Tornou-se amante da Arlete. Ele foi prático, queria garantir o seu futuro. Em pouco tempo, o Jota tornou-se o diretor da empresa. A Arlete deu-lhe poder, mordomias, prestígio, alimentou seu ego e sua vaidade. “Eu faço minhas escolhas e traço meu destino”. Mal sabia ele que o destino é volúvel como o vento; muda de direção conforme seus caprichos. O poder não corrompe as pessoas. Na verdade, ele revela o que elas têm em seus corações. Com Jota não foi diferente.
O tempo correu. E um dia, inesperadamente, um escândalo: a empresa vai à falência. Arlete e Otávio fogem. Houve fraude, a polícia recolhe documentos, lacra a prédio. O Jota, coitado, acusado de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, vai preso. Dominado pela vaidade, deixou-se enganar pela Arlete, foi envolvido em uma trama ordinária. O sonho transformou-se em pesadelo.
E Ali estava ele, mendigando na rua, magro, maltrapilho, faminto; tão diferente do executivo inflexível, às vezes cruel, que tinha demitido o Zeferino tão injustamente. O mundo dá muitas voltas.
O farol abriu e as pessoas queriam passar. Zeferino puxou-o para o canto.
- Quando você saiu da prisão?
- Há três anos!
- Esse tempo todo você ficou por aí? E a sua família?
- Não quero falar sobre isso. Você pode me dar uns trocados?
Bem que o Zeferino insistiu, mas ele não falou nada. Por fim, Zeferino pegou a carteira e tirou uma nota de cem reais. Olhos arregalados, Jota pegou o dinheiro com as mãos trêmulas. Em seguida, olhou para o Zeferino, tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Então, ele virou-se e foi andando. Sabe-se lá o que se passava em sua mente. Então, depois de dar alguns passos, ele parou de repente, virou-se para o Zeferino, ergueu a mão e acenou agradecendo. Talvez estivesse se despedindo. Depois ele sumiu entre os carros. Zeferino nunca mais teve notícias do Jota.

Onde foi publicado
Jornal A Cidade de Ribeirão Preto: Agosto/2005

8/11/2005

A segunda chance

Lia era uma mulher notável: loura, alta, bonita e inteligente. Não era rica, mas também nunca teve problemas com dinheiro. O pai, ao falecer, deixou-lhe uma boa herança e, além disso, ela tinha um ótimo salário pois era uma analista de sistemas muito competente e experiente que havia trabalhado em grandes empresas, inclusive fora do Brasil. Porém, Lia tinha um grave problema: ela era viciada em trabalho.
Desde o início de sua vida profissional, Lia sabia que, sendo mulher e trabalhando em uma área dominada pelos homens, teria que mostrar muita competência para ganhar respeito e credibilidade. Assim, lutava muito, buscava a superação da discriminação e a sua auto-afirmação no mundo machista da informática. Viajava muito, passava muitos dias longe de casa, convivia com estranhos, dormia mal. Era assediada mas sempre soube como colocar os abusados em seu devido lugar. Quando estava em casa, o celular não parava de tocar. Quantas vezes, o “stress” e o mau humor destruíram relacionamentos profissionais e pessoais? Lia havia perdido a conta. Otávio, seu marido, fez o possível para suportar aquela vida cheia de altos e baixos emocionais, porém, um dia não agüentou mais e foi embora.
Lia entrou em depressão. A choque da separação trouxe à tona toda a fragilidade oculta daquela mulher de ferro acostumada a tomar decisões, demitir pessoas sem piedade e comandar grandes projetos. Ela entrou em queda livre. Parecia que nunca ia parar de despencar das alturas de seu delírio. Ela não percebeu que suas escolhas pouco a pouco foram destruindo suas amizades, seu casamento, a ela mesma. “A ficha caiu” e Lia estava só.
Resolveu afastar-se do trabalho. Saiu de férias. As primeiras em anos de trabalho. Viajou para o litoral. Ela queria lavar sua alma nas águas do mar. Um dia, ao caminhar pela praia, reparou nas imagens que as ondas pintavam na areia e nas rochas. Lia então lembrou-se de sua juventude, de seus sonhos, das pinturas que fazia na escola de artes. Recordou-se que abandonou os pincéis e as telas quando se formou em ciência da computação. As luzes e o “glamour” do mundo “high tech” a enfeitiçaram.
Sentiu vontade de pintar novamente. Entregou-se à sua antiga paixão pela arte e pintou, e pintou, e pintou. Quanto mais pintava mais sentia o equilíbrio e a serenidade que o belo despertava em sua alma. O exercício da arte estava banindo a ansiedade e a angústia que embriagavam seu coração.
Ao retornar à empresa, teve certeza de que aquele mundo não lhe servia mais. Ela desejava dar outro sentido à sua vida. Estava decidida a dizer adeus ao frenético mundo dos bites e bytes, às viagens intermináveis, à solidão dos hotéis, aos seminários insossos e toda aquela falsa sensação de auto-suficiência e onipotência. “Quero voltar a viver!”
Uma semana após ter voltado das férias, Lia surpreendeu a todos pedindo demissão. “Como?” “Por que abandonar uma empresa de software que todo profissional almeja trabalhar?” “É uma louca varrida!” Os comentários se multiplicavam. Lia não ligava. Pela primeira vez ela estava fazendo algo que realmente queria fazer. Pouco lhe importava o que os outros pensassem a seu respeito. Estava de malas prontas para viver na praia e dedicar-se inteiramente à pintura. Seria feliz. Reencontraria o amor. Teria amigos novamente. Afinal, Lia não podia desperdiçar a sua segunda chance. Não era mais uma menina, era mulher.

Onde foi publicado

8/05/2005

Momento de decisão

Bia estava ansiosa e confusa. Partir para um mundo desconhecido ou abandonar seus sonhos? Sua vida nunca foi fácil; nasceu pobre, morava na favela, passou fome. No entanto, a pobreza material nunca foi motivo para ela aceitar passivamente a pobreza de espírito e a ignorância. Aprendeu a ler aos cinco anos com a ajuda da mãe e do irmão que lhe emprestava gibis e ensinou-lhe a cantar cantigas infantis. Quando Bia entrou para a escola, todos se espantaram com sua inteligência. Aprendia tudo facilmente e aos 12 anos já dominava o computador.
O que mais impressionava as pessoas da comunidade era o seu gosto pelo samba. Dançava com o charme e a graça das grandes passistas; tornou-se uma celebridade na escola de samba do bairro. A afinidade de Bia com os valores e os costumes da comunidade era admirável. Por isso todos a amavam. Inteligente, linda e gentil. Sua genialidade na informática e no samba encantava os intelectuais do asfalto e o povo da favela.
Quando ela completou 15 anos, uma Ong internacional criou um núcleo de inclusão digital e profissional na comunidade e contratou a Bia para trabalhar como monitora de informática. O salário não era lá essas coisas, mas o dinheiro veio em boa hora e a felicidade de Bia não tinha preço. Agora, aos 18 anos, Bia havia se tornado referência em software livre e participava ativamente de movimentos de inclusão social e digital nas comunidades pobres da cidade. Entretanto, ela sonhava: “Um dia vou me formar. A minha vida vai melhorar!” Queria se formar em ciência da computação, ser professora e escrever livros. Porém, quando ela acordava, as dificuldades da vida e a falta de dinheiro golpeavam duramente suas esperanças. Contudo, pior do que a pobreza era a falta de perspectiva de uma vida melhor. Nessa época, ela viu muitos amigos serem seduzidos pelo crime e pelas drogas. “Coitados! Morreram tão jovens”. Ela nunca entendeu por que um país tão rico como o nosso oferece tão pouco aos jovens.
Agora ela estava ali, diante do espelho, procurando dentro de si a coragem para ir ao encontro dos seus sonhos. Ela nunca imaginou que ganharia uma bolsa de estudos da Ong para estudar na França. Bia não sabia se chorava de tristeza ou de alegria. Ela se sentia com um balão cheio de energia para voar, mas com fortes amarras presas ao chão. Ela teria que deixar a família, a comunidade e o seu mundo para enfrentar o desconhecido. Isso tudo a amedrontava. Porém, essa era a chance de sua vida. Não desistiria agora. Então, ela enxugou as lágrimas, vestiu-se, fechou a mala e pegou seus documentos. Sua mãe chorava; ela afagou-a carinhosamente e deu-lhe um beijo.
Ao sair do barraco, Bia viu os seus amigos e vizinhos sambando alegremente e cantando: “Ai, ai, ai, ai. Tá chegando a hora...”. Enquanto beijava e abraçava a todos um por um, dizia docemente: “Vou atrás de meus sonhos na França, mas voltarei para dividir com vocês tudo o que eu aprender lá fora”. Ela sabia que havia alguma razão para que aquilo tudo estivesse acontecendo com ela.
Neste momento, Dona Neuza, a diretora da Ong, desabafou: “É lamentável ver os nossos talentos irem embora do país enquanto assistimos a esses escândalos de corrupção. Imaginem o que todo esse dinheiro das malas, cuecas e mensalões poderiam fazer pela educação desse povo?”. Em seguida, Bia deu uma última olhada para a favela; levantou seus olhos para o céu, fez uma prece e partiu em busca de seus sonhos.

Onde foi publicado:

  • Jornal A Cidade de Ribeirão Preto/SP em 04/08/2005

7/28/2005

Virando a mesa

Val estava tensa. Afinal, após a morte do seu marido, ela foi forçada a transformar-se em empresária do dia para a noite. Ele confiou demais no Costa, o diretor financeiro da empresa; por isso deixou que ele cuidasse das finanças da empresa. Ele também não achava importante investir em informática para controlar a gestão dos negócios da empresa.
Val nunca gostou do Costa. Para ela, um sujeito adulador e incapaz de olhar as pessoas diretamente nos olhos não poderia prestar. Poucos dias antes de morrer vitimado por um enfarte, seu marido falou-lhe que havia descoberto desfalques na empresa. A situação era grave. Ele disse-lhe que o Costa estava por trás de tudo, mas nada podia ser provado.
Apesar de furiosa e arrasada com a morte do marido, Val reuniu forças e descobriu as falcatruas e negociatas do Costa. Ele desviou muito dinheiro da empresa. O bandido contratou “hackers” para sabotar os sistemas de informática, tramou o superfaturamento de compras, corrompeu pessoas e destruiu documentos que poderiam incriminá-lo. Val passou noites em claro. Chorou muito. Voltou a fumar. Não descansaria enquanto não salvasse a empresa. O Costa ia pagar caro por tudo que fez. Faria isso pela memória do seu marido, por seus filhos.
- Val! Como vamos salvar a empresa? Perguntava Carlos, seu cunhado.
- Não se preocupe. Já estou cuidando disso. Já cancelou os contratos de informática?
- Sim!
- E o novo sistema de gestão? Precisamos de uma solução segura e confiável!
- Já estou procurando! Respondeu Carlos.
- Dona Val! O senhor Miro chegou! Avisou a secretária pelo interfone.
- Dona Arlete, diga ao senhor Costa para vir à minha sala. Ah, mande o senhor Miro entrar em dez minutos!
- Quem é esse Miro, Val? Perguntou Carlos.
- Você logo saberá!
- Com licença? Perguntou Costa abrindo a porta e esgueirando-se para dentro da sala de Val.
- Sente-se Costa!
- Tudo bem Val? Perguntou ele ironicamente.
- Costa. Aqui está sua carta de demissão e o valor que você deverá transferir para a conta da empresa. Agora!!! Disse Val secamente.
- Carta de demissão? Transferência? Você deve estar delirando!
- Não estou delirando. Isso é sério!
O Costa já estava se levantando para ir embora quando entrou um homem de seus 50 anos. Era o Miro. Eles se entreolharam e o Costa desabou na cadeira como se estivesse vendo um fantasma.
- Está nervoso Costa? Perguntou Val retribuindo a ironia.
- Bem “seu” Miro, pode mostrar os papéis para o seu velho “amigo”!
- Costa! Há quanto tempo hem?? Você ainda se lembra dos nossos antigos negócios??
- Pensei que você estivesse morto! Disse Costa com a voz trêmula.
- Como você pode ver, eu acabo de voltar do mundo dos mortos!
- Vamos lá Costa. Já viu os documentos? Assine logo a sua demissão e entre no site do banco para transferir o dinheiro que você nos roubou. Faça isso e você poderá reaver os documentos. O Miro ficará quieto!
O Costa estava pálido e desconcertado. Aqueles documentos e fotografias destruiriam completamente a sua reputação e o colocariam na prisão. Então, ele assinou a carta de demissão e fez a transferência do dinheiro. Em seguida, pegou o pacote com os documentos e saiu. Val lembrou-se de seu marido, suspirou e libertou algumas lágrimas. “Descanse em paz meu amor!”

7/15/2005

A indenização das cuecas!

Consultoria de sistemas é condenada a pagar indenização pelo fracasso do projeto de implementação de software em um grande cliente. Os prazos não foram cumpridos, o número de horas de consultoria foi fraudado e também foi comprovado o pagamento de mensalão para o porteiro. O fornecedor do sistema, cujo nome não foi revelado, foi condenado a pagar uma indezinação de 10 milhões de cuecas (Nova unidade monetária criada no Brasil). Na foto acima, vemos o momento exato do pagamento da indenização.

7/14/2005

Mudanças: ceder ou resistir?


Aceitar o que não podemos mudar não é apenas uma questão de inteligência e bom senso. É sobrevivência.


As pessoas adoram novidades. Porém, ao mesmo tempo, elas têm mêdo de tudo o que é novo. Poucos aceitam mudar alguma coisa sem espernear. Na verdade, as mudanças que acompanham as inovações nos obrigam a sair de nossa zona de conforto. Por isso, abandonar velhos hábitos e idéias enraizadas pelo tempo é doloroso para todos nós. Contudo, isso faz parte na natureza humana.
O fenômeno Internet, por exemplo, ao facilitar o acesso à informação, derrubou definitivamente as fronteiras ideológicas, geográficas e culturais no mundo. É notório: vivemos em uma “aldeia global”. O Haiti é aqui. O “tsunami” atingiu a todos nós. Desta forma, “a grande rede” estende suas teias sem-fim e abre espaço para profundas mudanças no comportamento e no pensamento humano. O conflito entre a estabilidade do mundo conhecido e a insegurança do novo é inevitável.
Nesta nova sociedade da informação em que tentamos nos adaptar, os e-mails, cartões magnéticos e “home banking”, viraram de ponta-cabeça as relações de trabalho, o comércio e a sociedade. Um de seus efeitos colaterais mais preocupante é a exclusão tecnológica. Ela submete as camadas menos favorecidas da população à dura realidade do isolamento econômico e social. Quem não tem acesso à tecnologia está sendo colocado pouco a pouco à margem do desenvolvimento. Isso atinge pessoas, países e continentes. E no mundo moderno, dominar a tecnologia significa sobreviver. Portanto, não é difícil entender que a pobreza de espírito e ausência de um projeto educacional moderno podem liqüidar os sonhos de progresso e crescimento do nosso povo.
“É melhor prevenir do que remediar” é um sábio conselho. Porém, por mais que tentemos, nunca estaremos preparados para lidar com as mudanças provocadas pelas inovações tecnológicas. Talvez seja melhor aprender a administrá-las e ser mais flexível do que se opor. Penso até que deveríamos aprender a aprender. Quando a mudança bate à nossa porta não adianta resistir. Afinal de contas, aceitar o que não podemos mudar é sinal de inteligência, bom senso e, muitas vezes, pura questão de sobrevivência.
Estamos no século da informação, mas ironicamente, existe muita carência de conhecimento por aí. Alguns gurus de plantão falam que há um novo “round” do processo de seleção natural em marcha. Eles também dizem que não será o mais forte que sobreviverá, mas sim aquele que for capaz de adaptar-se rapidamente aos novos tempos. Isso eu não tenho certeza, porém, uma coisa eu sei: quem não souber lidar com a tecnologia da informação e não aprender a produzir conhecimento terá muitas dificuldades para sobreviver em qualquer atividade econômica.


Onde foi publicado

7/13/2005

Cueca: a nova unidade monetária da TI



A AAPTi (Associação dos Aspones Profissionais da Ti decidiram em seu congresso anual, realizado em Brasília, adotar uma nova moeda para quantificar os projetos de Ti: A Cueca, representada pelo símbolo Cu$. Veja ao lado, o design da nova unidade monetária que está valorizadíssima: cada cueca vale U$ 100 mil Dólores. É mole!!!!!!

7/05/2005

A democracia e o mercado de software




Quem nunca se apaixonou? E quem não se decepcionou ao descobrir que o ser amado tem defeitos? Porém, quando as qualidades são maiores do que os defeitos, nós aprendemos a conviver com eles e nos entregamos ao amor; sem medo de ser feliz; não é assim? Do mesmo modo, a democracia também tem seus altos e baixos. Agora mesmo, estamos sentindo os solavancos provocados pelo “mensalão” e várias CPIs. Todavia, tomamos conhecimento desses fatos porque vivemos em uma sociedade democrática e a imprensa é livre. No fim, com a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis, as instituições serão fortalecidas. Isto é democracia!
Porém, mudando de política para software, constatamos que o mercado brasileiro de tecnologia da informação precisa abraçar a causa democrática. As empresas precisam ter liberdade para escolher o que é melhor para elas. É preciso estimular a diversidade tecnológica e a concorrência porque o monopólio, seja ele qual for, só é bom para quem o detém.
As empresas precisam de bons sistemas com preços que caibam nos seus orçamentos, portanto, dentro dessa perspectiva, o fenômeno do software livre é bastante oportuno. Ele está oferecendo alternativas para os consumidores, abrindo espaço para inovações, contribuindo para a redução de custos das empresas, gerando novas oportunidades de negócio, empregos e estimulando a indústria nacional de software.
Portanto, o software livre é amigo da democracia. Ele gera concorrência, pluralidade de soluções e liberdade de escolha. Esses valores contribuem para o amadurecimento do mercado e estimulam a competitividade entre desenvolvedores de software de código-aberto e comercial. Quem oferecer boas soluções com preço justo conquistará o consumidor. O mercado deve encarar isso com naturalidade.
Uma boa demonstração de que o confronto entre software de código-aberto e software comercial é positivo aconteceu durante a realização do XV CIAB (Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras – www.ciab.com.br), durante o mês de junho, em São Paulo. No decorrer do evento, verificou-se que o debate esquentou e acabou expondo as estratégias de ambos os lados. A Microsoft, por exemplo, investe em novos produtos, mas insiste em sua velha tática de desqualificar os produtos baseados em código-aberto. Porém, desta vez, a empresa de Bill Gates trouxe uma novidade: Ela está defendendo a idéia de que as empresas de código-aberto devem cobrar as licenças de uso para os seus produtos.
Em contrapartida, os fornecedores de soluções de código-aberto como Ibm, Oracle e Cobra, mostraram que seus produtos estão atingindo a maturidade tecnológica, conquistando a confiança do mercado e ganhando terreno, principalmente no setor bancário.
Fazer mais com menos. A tecnologia da informação não conseguirá escapar dessa imposição de mercado. Só os cegos não percebem. Viva a democracia! Viva a concorrência! Abaixo o monopólio!

Onde foi publicado

6/29/2005

Abrindo a cabeça....



Hoje, pela manhã, abri o jornal A Cidade de Ribeirão Preto e me deparo com um pequeno artigo: "Brasileiro gasta 18,4 hrs. com TV e 5,2 com livro." Outros números sobre o consumo de mídia no Brasil: O rádio apresenta uma média de 17,2 hrs e a grande rede, 10,5 hrs. Esses dados, segundo o artigo, fazem parte de uma ampla pesquisa realizada pela empresa de pesquisa americana, Nop World.
O que chama a atenção é que, em nosso país, as mídias que exigem menor grau de reflexão como a TV, o rádio e a internet são as que mais atraem o público. Enquanto isso, a leitura, que exige mais esforço, ocupa um lugar sem valor no gosto da população. Por que isso acontece????? Alguém tem alguma idéia???

6/28/2005

Debatendo os crimes virtuais


Os crimes na internet já deixaram de ser ficção há muito tempo. Ao contrário, estão se tornando parte do noticiário diário, atingindo todas as camadas da população. Palavras como "hacker", vírus, "cyber cimes", entre outras, estão na boca do povo. Entretanto, embora ainda existam dificuldades, a sociedade e as autoridades estão tomando algumas iniciativas para combater estes crimes.
Seria importante que todos tomassem conhecimento das ações em curso e fizessem a sua parte para previnir as situações que criam a oportunidade para a prática de atos criminosos.

Matérias relacionadas:

Audiência pública na Câmara dos Deputados vai debater crimes na internet
Cartilha ensina consumidores a fazerem negócios seguros pela Internet

6/27/2005

Frase do dia!

"Quando não sabemos para onde ir, qualquer caminho serve."
(Do livro Alice no país das maravilhas)

O Linux amplia sua presença

O mega provedor UOL acaba de disponibilizar um discador para atender os usuários Linux. O que se observa cada vez mais é que os grandes "players" do mundo da tecnologia da informação reconhecem - ou se rendem? - a força emergente do software livre.

Veja matéria completa em:

6/24/2005

Processos: A alma do negócio



Segundo James Harrington, um processo é um grupo de tarefas inter-relacionadas, que utiliza recursos de uma organização, com o propósito de gerar os resultados necessários para consolidar os seus objetivos de negócio. Portanto, é fácil perceber que a prática da gestão de processos é vantajosa e deve receber tratamento estratégico por parte das empresas.
Ora, uma empresa é construída sobre processos do negócio, da mesma forma que um edifício é erguido sobre suas fundações. Quando estas são frágeis, o desabamento do edifício é certo. Assim, quando os processos estão bem estruturados, a empresa consegue bons resultados. Quando os processos são confusos e as pessoas não sabem o que fazer, a empresa corre perigo.
A partir dos anos 80, a evolução tecnológica produziu um grande salto de progresso no mundo. As distâncias desapareceram e os continentes foram integrados em um imenso mercado global. Concomitantemente, surgiu a percepção de que as empresas, a exemplo dos organismos vivos, estão sujeitas às incertezas e mudanças provocadas pelo meio-ambiente onde atuam. Isso significa que, acontecimentos de natureza econômica ou política podem afetar o mundo inteiro em poucas horas.
Nesse cenário de instabilidade, a concorrência, a necessidade de inovações, a ditadura do consumo e a urgência para reduzir custos estão impondo uma dinâmica frenética na vida das empresas. Inevitavelmente, para se manterem vivas no mercado, elas precisam ajustar os seus processos de negócios freqüentemente.
A gestão de processos é a ferramenta certa para auxiliar as empresas a enfrentar esse desafio. Dentro dessa perspectiva, a tecnologia da informação é uma aliada poderosa, contudo, ela não deve ser considerada como a salvadora da pátria. Ao contrário, os sistemas de informação devem ser vistos como atores coadjuvantes na gestão empresarial. A sua implementação e funcionamento devem seguir a orientação determinada pelos processos de negócios.
Muitos erros são cometidos na implantação de sistemas corporativos. Um certo número deles acontece porque os processos de negócio são desconsiderados no planejamento da implementação. Isso ocorre porque as empresas decidem acelerar o projeto e, ao mesmo tempo, economizar recursos cortando serviços de consultoria em análise de processos. Algumas vezes, estas decisões acabam comprometendo irremediavelmente o resultado do projeto. Os prejuízos, muitas vezes, são incalculáveis. Por isso, concluímos que, implementar sistemas de informação em uma empresa sem analisar os seus processos de negócio é uma temeridade. Embarcar em uma aventura como essa só pode ser comparada com a tolice de construir uma casa a partir do seu telhado.

Onde foi publicado

6/14/2005

O Linux chega ao varejo

Recentemente a Microsoft lançou um novo produto. Na verdade, uma versão simplificada do seu sistema operacional Windows XP: o Microsoft® Windows® XP Starter Edition que, segundo a empresa de Bill Gates, "oferece a melhor experiência aos usuários principiantes de computadores e a um custo mais acessível."

Esse lançamento não representa uma boa ação da gigante de software. O que a Microsoft quer e precisa é reduzir seus prejuízos com a pirataria e tentar, de algum jeito, enfrentar a escalada do Software Livre. Em minha opinião, essa é uma tentativa que está condenada ao fracasso. Direi o porquê! Primeiramente, sugiro que você conheça esta versão anã do windows e a compare com a versão completa. Há limitações.... Em segundo lugar faço um convite: Vá passear no shopping e, assim como quem não quer nada, dê um giro pelas grandes redes varejistas e veja que algumas já estão vendendo computadores com o Linux desktop instalado. Você ainda poderá escolher entre microcomputadores com processadores Intel ou AMD. O preço é razoável e atrativo. E o mais interessante: o Linux é um produto completo e legalizado.

Penso que estamos assistindo ao início de grandes mudanças no modelo de comercialização de software. Até onde a Microsoft chegará com o Windows Starter Edition?

6/03/2005

O novo evangelho de Bill Gates

O fundador da Microsoft está produzindo um novo livro sobre o futuro da tecnologia.


Bill Gates está olhando novamente em sua bola de cristal. Ele está escrevendo um novo livro sobre o futuro da tecnologia e o impacto que as inovações tecnológicas provocarão na saúde e na educação mundiais. É importante examinar atenciosamente as idéias de Gates. Elas são indícios do posicionamento da Microsoft no mercado. Ao que parece, esse novo livro é a ferramenta de marketing que Bill Gates usará para relacionar o seu pensamento visionário, as ações filantrópicas da Fundação Bill & Melinda Gates, e novas oportunidades de negócios para a Microsoft
Em seu primeiro livro, “Uma estrada para o futuro” (The Road Ahead), lançado em 1995, Bill Gates fez inúmeras previsões sobre inovações tecnológicas que acabaram se tornando realidade. Foi o caso da gravação de música em formato digital. No entanto, outras previsões não vingaram, entre elas a carteira conectada a uma rede sem fio para sacar dinheiro virtual em caixas eletrônicos. Esse livro, segundo a própria Microsoft, foi um campeão de vendas e atingiu a marca de 2,5 milhões de exemplares vendidos até agora.
Todavia, em seu segundo livro, Gates queria evangelizar as camadas mais influentes e formadoras de opinião no mundo dos negócios. Assim surgiu “A empresa na velocidade do pensamento” (Business @ the speed of thought), que não é um livro técnico, mas sim ideológico; ele exorta as lideranças empresariais a perceber a tecnologia da informação como uma poderosa ferramenta de gestão para os negócios.
Neste novo evangelho “Microsoftiano”, Gates deseja mostrar como a tecnologia poderá contribuir para solucionar problemas ligados à saúde e educação mundiais, que, coincidentemente, são o foco do trabalho filantrópico da Fundação Bill & Melinda Gates. Curioso, não?
Outra curiosidade: em janeiro deste ano, Bill Gates esteve presente no Fórum Econômico Mundial que foi realizado em Davos, Suíça. Ele falou de educação, de saúde, anunciou doações de 100 milhões de US$ para pesquisas médicas, conclamou os grandes empresários a fazer doações, e pressionou o governo Americano para aumentar as verbas destinadas a pesquisas em saúde.
Além disso, Gates tentou resolver alguns problemas. Ele fez várias tentativas para se encontrar com o Presidente Lula, mas não conseguiu. Sua intenção era reverter os planos do governo brasileiro de usar o Linux em suas repartições e oferecer o apoio da Microsoft aos programas de inclusão digital.
Contudo, o marketing de Bill Gates é muito competente. Ele sabe ocupar espaços no mercado. Em seu novo livro, ele prosseguirá em sua cruzada para vender a idéia de um mundo “Microsoftizado”, tentará desqualificar as soluções de código aberto, fará novas previsões – algumas até mirabolantes – e quem sabe apontará novos caminhos para a Microsoft. O interesse de Gates em saúde e educação pode ser uma boa pista.



Orlando Ribeiro (Lan Ribeiro)
Consultor de negócios, Articulista e Redator de conteúdo
contato@orlandoribeiro.trd.br